
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor nesta sexta-feira (1º) e passa a impactar diretamente a economia de Mato Grosso do Sul. A medida reduz tarifas de exportação para milhares de produtos e abre um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, com efeitos imediatos para setores estratégicos do estado.
Na prática, o acordo permite que empresas exportadoras passem a vender com menos impostos ou até tarifa zero em diversos casos, aumentando a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses frente a concorrentes de outros países.
O principal impacto ocorre no agronegócio, que concentra a maior parte das exportações do estado. Produtos como soja, carne bovina, carne de frango, açúcar e etanol estão entre os mais beneficiados. A União Europeia é um mercado que exige padrões sanitários e ambientais rigorosos, mas também paga mais por produtos que atendem a esses critérios, o que favorece produtores e indústrias já adaptados.
Outro setor diretamente atingido é o de celulose, com forte presença em Mato Grosso do Sul. A redução de tarifas amplia a competitividade internacional e pode elevar o volume exportado, especialmente diante da demanda constante do mercado europeu.
Além dos setores diretamente exportadores, o acordo também tende a movimentar a cadeia econômica ligada ao comércio exterior, incluindo transporte, logística e armazenagem. Com maior fluxo de exportações, a expectativa é de aumento na circulação de recursos dentro do estado.
Empresas de maior porte e que já atuam no comércio internacional devem sentir os efeitos primeiro. Isso ocorre porque já possuem estrutura logística, certificações e adaptação às exigências do mercado europeu. Para essas, o ganho tende a vir na forma de aumento de margem ou expansão de vendas.
Por outro lado, pequenas e médias empresas ainda enfrentam obstáculos para acessar esse mercado. Entre os principais desafios estão as exigências técnicas e ambientais da União Europeia, os custos de certificação e a necessidade de adequação de processos produtivos. Também há indicativos de que parte das empresas do interior ainda não está plenamente informada sobre como aproveitar os benefícios do acordo.
Apesar da abertura comercial, o ganho não é automático. Para exportar ao mercado europeu, é necessário cumprir uma série de requisitos que vão além da redução de tarifas. Sem essa adequação, empresas não conseguem acessar o novo cenário criado pelo acordo.
Mato Grosso do Sul entra nesse contexto com vantagem por já ser um estado exportador, especialmente no agronegócio e na produção de celulose. No curto prazo, o crescimento tende a ser puxado por esses setores. No médio prazo, a expectativa é de expansão mais ampla, conforme outras empresas se adaptem às exigências do mercado europeu.