O IBGE divulgou na última sexta-feira (22) a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua - PNAD Contínua em sua modalidade anual com dados gerais de moradores e domicílios. O informativo traz comentários analíticos sobre a distribuição da população residente por sexo, grupos de idade, cor ou raça e condição no domicílio, bem como sobre as diferenças regionais relativas a esses indicadores e a evolução das características da população analisadas no período de 2012 a 2021, contemplando, assim, os anos inicial e final da série histórica da pesquisa.
No estado, proporção estimada de pessoas com 60 anos ou mais cresce 37,8%
Em Mato Grosso do Sul, a distribuição da população residente por grupos etários mostra uma tendência de queda
da proporção de pessoas abaixo de 30 anos de idade. Em 2012, essa estimativa era de 52,1%, passando para 47,7%
em 2021. Entre 2012 e 2021, destaca-se a queda da participação das pessoas de 10 a 17 anos (de 10,2% para 8,5%)
e de 20 a 24 anos de idade (de 9,2% para 7,6%).
Por outro lado, a população de 30 anos ou mais de idade registrou crescimento no período, atingindo 52,2% da
população total em 2021 – estimativa 4,3% maior que a de 2012 (47,9%). Em 2021, a distribuição dos demais grupos
foi a seguinte: de 30 a 39 anos (17%), 40 a 49 anos (13,5%) e de 50 a 59 anos (9,5%).
A parcela de pessoas com 60 anos ou mais de idade representava 12,2% da população em 2021, frente à estimativa
de 9,9% em 2012. O contingente de pessoas nessa faixa etária cresceu em 37,8% no período (de 246 mil pessoas com
60 anos ou mais em 2012 para 339 mil em 2021). Entre os idosos, destaca-se a expansão da participação daqueles
de 65 anos ou mais, que atingiu 8,1% da população total em 2021.
Proporção de mulheres é maior entre adultos e idosos
A análise da estrutura etária da população residente e a participação percentual de cada grupo etário por sexo, em
2012 e em 2021, confirma o alargamento do topo e o estreitamento da base dessa estrutura, evidenciando a
tendência de envelhecimento populacional.
Em 2021, a população residente em Mato Grosso do Sul foi estimada em 2,7 milhões de pessoas. Destes, as mulheres
totalizavam 1,39 milhão (50,3%), enquanto os homens correspondiam a 1,37 milhão (49,7%).
No período de 2012 e 2021, houve redução dos percentuais de homens e mulheres nas faixas etárias a partir de 10
até 34 anos, ao passo que foi estimado crescimento em todas as faixas etárias acima de 34 anos, tanto para os homens quanto para as mulheres.
A população masculina no estado apresentou padrão mais jovem que a feminina. Nos grupos de idade de 0 a 4 anos
(9,9% homens e 8,8% mulheres) e de 5 a 9 anos (9,2% homens e 7,7% mulheres), a distribuição percentual dos
homens era maior que a das mulheres. No grupo de idade de 5 a 9 anos ainda se observa uma razão de sexo mais
elevada, sendo 116 homens para cada 100 mulheres. Como a mortalidade dos homens é maior que a das mulheres,
a razão de sexo tende a diminuir com o aumento da idade.
No grupo etário de 25 a 29 anos, o contingente de homens (8,4%) e de mulheres (8,3%) era quase similar. A partir
dos 34 anos, o percentual de mulheres se torna superior ao dos homens em quase todos os grupos de idade.
Um fenômeno demográfico observado entre os idosos é a concentração de mulheres nesse grupo etário. A razão de
sexo calculada para a população com 60 anos ou mais de idade indicou que existem aproximadamente 87,2 homens
para cada 100 mulheres. Estima-se que entre os idosos de 75 anos ou mais de idade, a razão de sexo seja ainda menor (77 homens para cada 100 mulheres), o que pode ser explicado, nesse caso, pelos diferenciais de mortalidade
entre os sexos.
Em MS 34,2% dos entrevistados se declararam como principal responsável pelo domicílio
Ao observar a população residente por condição no domicílio em que vive, ou seja, o tipo de relação de parentesco
ou de convivência com a pessoa indicada como responsável pelo domicílio, verificou-se que, em Mato Grosso do Sul
no ano de 2021, 34,2% das pessoas foram classificadas na condição de principal responsável; 20,7%, cônjuge ou
companheiro(a) do responsável; 34,9% filho(a) ou enteado(a) do responsável; e 10,2%, em outra condição. Na
capital para o mesmo ano a proporção ficou em 34,3% para as pessoas que se classificaram na condição de principal
responsável, 18,4%, cônjuge ou companheiro(a) do responsável; 33,6% filho(a) ou enteado(a) do responsável; e
13,7%, em outra condição.
No Brasil e nas Grandes Regiões tal divisão se configurou da seguinte forma:
Aumenta o número de pessoas que se autodeclarou pardo(a) em MS
Em MS, entre 2012 e 2021, a população que se autodeclarou como de cor preta (6,1%) e de cor branca (43,0%)
apresentaram redução na participação da população total (em 2012, essas estimativas eram, respectivamente, de
6,4% para pretos e 46,9% para os que se autodeclararam como brancos). As pessoas que se declararam como de cor
parda (49,6%), por sua vez, tiveram maior participação na população do que no início do período analisado (em 2012, essa estimativa era de 44,5%). Em 2020, ainda para MS, 43,2% da população se declarou branca, 6,1% preta e 48,8% parda. Em Campo Grande, as proporções foram as seguintes:
A participação da população declarada de cor branca reduziu no Brasil assim como em todas as Grandes Regiões
entre 2012 e 2021.
Famílias Sul-Mato-Grossenses mudaram ao longo de uma década
No ano de 2021, foram registrados 947 mil de domicílios particulares permanentes em MS, contra 929 mil em 2020
e 815 mil em 2012. Nesses domicílios, o arranjo mais frequente era o nuclear, estrutura composta por um único
núcleo, seja formado por um casal com ou sem filhos ou enteados ou pelas chamadas famílias monoparentais,
quando somente a mãe ou o pai criam os filhos, sem a presença do outro cônjuge. Em MS, este arranjo foi registrado
em 637 mil domicílios. Um aumento de 13,3% em relação a 2012 (562 mil), porém, estável em relação a 2020 (640
mil).
Mulheres ganham destaque como responsáveis pelo domicílio
Nestas famílias nucleares de MS, quando perguntado aos moradores quem era o responsável pelo domicílio, houve
uma mudança substancial nos parâmetros. No ano de 2012, em 404 mil (71,9%) dos 562 mil, a pessoa que foi
considerada responsável era homem, contra 158 mil (28,1%) em que as mulheres assim foram declaradas. Já em
2021, esses números ficaram praticamente iguais. Dos 637 mil registrados, em 317 mil domicílios as mulheres eram
responsáveis. Em 319 mil, os homens.
Em Campo Grande, essa variação ficou ainda mais notável. Em 2012, dos 274 mil domicílios particulares permanentes, 185 mil continham famílias nucleares. Destes, 129 mil (69,7%) registraram o homem como responsável e 56 mil (30,3%) registraram a mulher. Já em 2021, dos 199 mil domicílios com famílias nucleares, 86 mil (43,2%) tinham o homem como responsável pelo domicílio e 113 mil (56,8%) tinham mulheres.
As famílias unipessoais (uma pessoa sozinha) também tiveram mudanças em seus números. Em MS, no ano de 2012,
foram 117 mil domicílios em que apenas uma pessoa morava. Em 2020 esse número era de 136 mil e em 2021, passou para 154 mil. Homens habitavam 97 mil destes (63,0%). Mulheres, 58 mil (37,0%). Em Campo Grande, o total de famílias unipessoais ficava em 42 mil no ano de 2012. Passou a 50 mil em 2020 e 53 mil em 2021. Destes, 33 mil (62,2%) eram homens e 20 mil (37,8%) eram mulheres.