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MS concentra quase 50% das drogas apreendidas no país e vira corredor do crime

Estado concentra principal rota do tráfico e do contrabando na fronteira com o Paraguai, com apreensões recordes nos últimos meses

11/05/2026 às 14h10 Atualizada em 13/05/2026 às 12h23
Por: João Paulo Ferreira
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Fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai) concentra uma das principais rotas do tráfico e do contrabando no país - Foto: Doralice Alcântara
Fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai) concentra uma das principais rotas do tráfico e do contrabando no país - Foto: Doralice Alcântara

Mato Grosso do Sul concentra uma das principais rotas do tráfico e do contrabando no Brasil e já responde por quase metade das apreensões de drogas feitas pelas polícias militares no país. Dados mais recentes apontam que, em 2025, foram cerca de 480 toneladas apreendidas no estado, de um total de 920 toneladas registradas nacionalmente pelas PMs.

O volume coloca o estado no centro da estratégia de combate ao crime organizado, mas também evidencia a dimensão da circulação de drogas e mercadorias ilegais pela fronteira com o Paraguai. Municípios como Ponta Porã, Dourados e Mundo Novo aparecem como principais portas de entrada e corredores logísticos dessas rotas.

Os números mais recentes da segurança pública mostram que o ritmo das apreensões segue elevado. Em 2024, Mato Grosso do Sul já havia registrado 407,5 toneladas de drogas apreendidas entre janeiro e setembro, um aumento de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte dessas ocorrências foi registrada em cidades da faixa de fronteira.

A atuação das forças de segurança também se intensificou. O Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreendeu 141 toneladas de drogas entre janeiro e agosto de 2025, alta de 62% na comparação anual, com prejuízo estimado em mais de R$ 368 milhões às organizações criminosas.

Além do tráfico de drogas, o estado também é rota consolidada do contrabando. O fluxo ilegal inclui principalmente cigarros vindos do Paraguai, com movimentação bilionária anual, além de eletrônicos, roupas e outros produtos que entram no país sem controle fiscal.

Operações recentes da Receita Federal, em conjunto com forças estaduais e federais, reforçam esse cenário. Em uma ação na região sul do estado, entre Dourados, Mundo Novo e Ponta Porã, foram apreendidos mais de R$ 24 milhões em mercadorias ilegais, além de veículos e centenas de milhares de maços de cigarros.

Outro ponto de atenção é o avanço do contrabando de agrotóxicos ilegais, que entram pela fronteira e seguem para áreas agrícolas do Centro-Oeste. Em março de 2026, uma operação na BR-163, em Mundo Novo, resultou na apreensão de 400 quilos desses produtos. Segundo a Receita Federal, esse tipo de material representa risco direto à saúde pública, ao meio ambiente e à competitividade do agronegócio.

A combinação entre fronteira extensa, logística facilitada e alta rentabilidade mantém Mato Grosso do Sul como eixo estratégico para organizações criminosas. Ao mesmo tempo, os dados de apreensão indicam aumento da pressão das forças de segurança, concentradas principalmente no interior do estado.

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