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Esquema do tapa-buraco fazia prefeitura pagar por serviço inflado em Campo Grande

Investigação aponta manipulação de medições para liberar pagamentos acima do executado e sustentar grupo investigado pelo MPMS

13/05/2026 às 12h19 Atualizada em 13/05/2026 às 14h39
Por: João Paulo Ferreira
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Investigação do MPMS aponta pagamento por serviços acima do executado em contratos de tapa-buraco em Campo Grande - Foto: João Paulo Ferreira
Investigação do MPMS aponta pagamento por serviços acima do executado em contratos de tapa-buraco em Campo Grande - Foto: João Paulo Ferreira

A investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre contratos de tapa-buracos em Campo Grande indica que o esquema funcionava com a inflação de medições de serviços, o que levava a prefeitura a pagar por quantidades superiores ao que de fato era executado nas ruas. O modelo, segundo o órgão, sustentava repasses indevidos de recursos públicos e está no centro da operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada na terça-feira (12).

De acordo com o MPMS, a fraude ocorria na etapa de medição das obras — fase em que se calcula quanto foi executado para autorizar o pagamento. A suspeita é de que esses dados eram manipulados para ampliar artificialmente o volume de serviço registrado, permitindo a liberação de valores maiores do que os efetivamente realizados.

Esse descompasso entre o que era pago e o que era entregue, ainda conforme a apuração, gerava dois efeitos diretos: prejuízo aos cofres públicos e execução de serviços abaixo do padrão esperado, já que parte dos recursos não correspondia a trabalho efetivamente feito.

A investigação aponta a atuação de um grupo estruturado, com participação de servidores públicos e agentes privados, voltado a manter esse mecanismo ao longo de anos. O esquema teria operado entre 2018 e 2025 dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), responsável pela manutenção viária da Capital.

A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão em Campo Grande. Entre os presos está o engenheiro Rudi Fiorese, que comandou a Sisep por seis anos, entre 2017 e 2023. Também foram detidos servidores ligados à área de manutenção viária e empresários associados aos contratos investigados.

Durante as diligências, os investigadores apreenderam R$ 429 mil em dinheiro em espécie em endereços ligados aos alvos. Para o MPMS, a presença de valores fora do sistema bancário pode indicar tentativa de ocultação de recursos.

Os contratos sob suspeita, firmados ao longo de sete anos, somam mais de R$ 113 milhões em serviços de manutenção de vias. A principal empresa envolvida nas apurações é apontada como beneficiária recorrente desses acordos e aditivos.

Em nota, o Governo do Estado informou que a investigação se restringe ao período em que Fiorese atuou na prefeitura e não envolve contratos da esfera estadual. O engenheiro foi exonerado do cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) no mesmo dia da operação.

As apurações seguem em andamento e buscam detalhar a extensão dos prejuízos e a participação individual de cada investigado no esquema.

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