
A Prefeitura de Campo Grande intimou o Consórcio Guaicurus após a comissão criada para analisar o contrato do transporte coletivo apontar irregularidades na concessão bilionária. O grupo foi notificado a apresentar documentos e esclarecer pontos considerados críticos, enquanto o município avalia uma possível intervenção no sistema, com decisão prevista até o início de junho, na Capital.
A apuração ocorre dentro de um Procedimento Administrativo Preliminar instaurado pelo município para revisar o contrato firmado em 2012. A análise envolve dados operacionais, financeiros e contratuais do serviço, que somam cerca de R$ 3,4 bilhões ao longo da concessão. Informações já apresentadas pela própria prefeitura em processos judiciais indicam dificuldade de acesso a sistemas internos do consórcio, o que levou ao endurecimento das medidas de fiscalização.
Diante desse cenário, a possibilidade de intervenção passou a ser tratada internamente como uma alternativa concreta pela administração municipal. O prazo para conclusão dos trabalhos da comissão foi prorrogado em razão do volume e da complexidade dos documentos analisados, e a definição sobre eventual intervenção deve ocorrer até o início de junho.
Paralelamente, surgiram nos bastidores informações sobre uma possível negociação do controle do consórcio com um grupo empresarial de outro estado. A hipótese foi mencionada por integrantes da CPI do transporte coletivo, mas até o momento não há confirmação oficial de que uma venda tenha sido concretizada.
Durante o avanço das investigações, o Consórcio Guaicurus promoveu a troca de seu diretor-presidente. A mudança ocorre no mesmo período em que a concessionária é pressionada a apresentar dados e esclarecer pontos levantados pela comissão.
A eventual intervenção não significa interrupção imediata do serviço. Nesse tipo de medida, a prefeitura pode assumir temporariamente a gestão do sistema, mantendo a operação dos ônibus enquanto reavalia o contrato e a estrutura da concessão.
Na prática, despesas como combustível, manutenção da frota e pagamento de funcionários passam a ser acompanhadas ou geridas sob supervisão direta do poder público. A administração municipal também pode nomear interventores para conduzir o sistema durante o período de intervenção.
Esse tipo de ação é considerado extremo e costuma ser adotado quando há risco à continuidade ou à qualidade do serviço público. Dependendo do resultado da investigação, o processo pode evoluir para reestruturação do contrato ou até rompimento da concessão, o que abriria caminho para um novo modelo de transporte coletivo na cidade.
Até que haja uma decisão final, o sistema segue operando normalmente, mas sob pressão administrativa, política e judicial, com a prefeitura ampliando o monitoramento sobre a concessionária.