
Os casos de violência contra mulheres aumentam significativamente em dias de jogos de futebol no Brasil. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de até 23,7% nos registros de ameaça e de cerca de 20,8% nas ocorrências de lesão corporal dolosa em datas com partidas de futebol masculino. Quando os jogos acontecem com times mandantes atuando em casa, o aumento pode chegar a 25,9%.
Os dados fazem parte do debate levantado pela campanha “Não Fique Calado”, iniciativa apoiada por Estácio, Wyden, IBMEC e Instituto Yduqs para conscientização sobre violência de gênero e incentivo à denúncia. A campanha reúne orientações, canais de apoio e informações sobre acolhimento às vítimas.
No site oficial da iniciativa, é possível acessar conteúdos educativos, formas de denúncia e informações sobre atendimento psicológico e jurídico: Não Fique Calado
Segundo o estudo, a maioria das agressões ocorre dentro de casa. Cerca de 80% dos casos de ameaça e 78% das lesões corporais registradas em dias de jogos são praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, reforçando o caráter doméstico da violência.
Em Mato Grosso do Sul, os números também mostram um cenário preocupante. Pesquisa nacional do DataSenado revelou que 29% das mulheres sul-mato-grossenses afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homens. Entre elas, 20% disseram ter vivido episódios de agressão nos últimos 12 meses.
O levantamento ainda aponta que 72% das mulheres do estado conhecem alguma vítima de violência doméstica. A violência psicológica aparece entre as formas mais recorrentes, presente em 88% dos relatos registrados na pesquisa.
Dados do Disque 180 também mostram que a maioria das denúncias feitas em Mato Grosso do Sul envolve violências consideradas “invisíveis”, como ameaças, humilhações, intimidação e controle emocional.
Para especialistas, a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência. “A defesa das mulheres vai além da existência da lei. Trata-se de um compromisso coletivo que envolve respeito, igualdade e responsabilidade social”, afirma Ielly Barros, docente de direito penal da Wyden.
A médica Vera Lúcia Fonseca, professora do IDOMED, alerta para os impactos físicos causados pelas agressões. Segundo ela, vítimas frequentemente apresentam hematomas, fraturas, traumas cranianos e dores crônicas que podem permanecer mesmo após o fim da violência.
Já a psicóloga Erica Vacilloto Fregonesi Domingues, do IBMEC, destaca os danos emocionais. “A violência não atinge apenas o corpo — ela desestrutura a saúde mental, gera insegurança constante e pode levar ao isolamento”, afirma.
Além da campanha de conscientização, as instituições envolvidas destacam serviços gratuitos de apoio, como os Núcleos de Práticas Jurídicas, que oferecem orientação jurídica à população, e os Serviços-Escola de Psicologia, com acolhimento supervisionado para vítimas.
As denúncias podem ser feitas gratuitamente pelo Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher em situação de violência.