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Jogos de futebol fazem violência contra mulheres subir até 24%

Dados mostram alta de ameaças e agressões em dias de jogo, com maioria dos casos dentro de casa

13/05/2026 às 16h33
Por: João Paulo Ferreira
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Aumento de até 24% nos casos de violência contra mulheres em dias de jogos de futebol foi identificado em levantamento nacional - Foto: João Paulo Ferreira
Aumento de até 24% nos casos de violência contra mulheres em dias de jogos de futebol foi identificado em levantamento nacional - Foto: João Paulo Ferreira

Os casos de violência contra mulheres aumentam significativamente em dias de jogos de futebol no Brasil. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de até 23,7% nos registros de ameaça e de cerca de 20,8% nas ocorrências de lesão corporal dolosa em datas com partidas de futebol masculino. Quando os jogos acontecem com times mandantes atuando em casa, o aumento pode chegar a 25,9%.

Os dados fazem parte do debate levantado pela campanha “Não Fique Calado”, iniciativa apoiada por Estácio, Wyden, IBMEC e Instituto Yduqs para conscientização sobre violência de gênero e incentivo à denúncia. A campanha reúne orientações, canais de apoio e informações sobre acolhimento às vítimas.

No site oficial da iniciativa, é possível acessar conteúdos educativos, formas de denúncia e informações sobre atendimento psicológico e jurídico: Não Fique Calado

Segundo o estudo, a maioria das agressões ocorre dentro de casa. Cerca de 80% dos casos de ameaça e 78% das lesões corporais registradas em dias de jogos são praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, reforçando o caráter doméstico da violência.

Em Mato Grosso do Sul, os números também mostram um cenário preocupante. Pesquisa nacional do DataSenado revelou que 29% das mulheres sul-mato-grossenses afirmam já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homens. Entre elas, 20% disseram ter vivido episódios de agressão nos últimos 12 meses.

O levantamento ainda aponta que 72% das mulheres do estado conhecem alguma vítima de violência doméstica. A violência psicológica aparece entre as formas mais recorrentes, presente em 88% dos relatos registrados na pesquisa.

Dados do Disque 180 também mostram que a maioria das denúncias feitas em Mato Grosso do Sul envolve violências consideradas “invisíveis”, como ameaças, humilhações, intimidação e controle emocional.

Para especialistas, a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência. “A defesa das mulheres vai além da existência da lei. Trata-se de um compromisso coletivo que envolve respeito, igualdade e responsabilidade social”, afirma Ielly Barros, docente de direito penal da Wyden.

A médica Vera Lúcia Fonseca, professora do IDOMED, alerta para os impactos físicos causados pelas agressões. Segundo ela, vítimas frequentemente apresentam hematomas, fraturas, traumas cranianos e dores crônicas que podem permanecer mesmo após o fim da violência.

Já a psicóloga Erica Vacilloto Fregonesi Domingues, do IBMEC, destaca os danos emocionais. “A violência não atinge apenas o corpo — ela desestrutura a saúde mental, gera insegurança constante e pode levar ao isolamento”, afirma.

Além da campanha de conscientização, as instituições envolvidas destacam serviços gratuitos de apoio, como os Núcleos de Práticas Jurídicas, que oferecem orientação jurídica à população, e os Serviços-Escola de Psicologia, com acolhimento supervisionado para vítimas.

As denúncias podem ser feitas gratuitamente pelo Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher em situação de violência.

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