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Hantavirose pode matar em até 45% dos casos e começa como uma simples gripe

Casos recentes no país colocam doença no radar; médico do HU-UFMS explica sintomas e riscos

15/05/2026 às 17h25
Por: João Paulo Ferreira
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Hantavirose pode ter mortalidade de até 45% e não possui tratamento antiviral específico aprovado no Brasil
Hantavirose pode ter mortalidade de até 45% e não possui tratamento antiviral específico aprovado no Brasil

A confirmação recente de casos de hantavirose no Paraná e o registro de uma morte em Minas Gerais levaram especialistas a reforçar o alerta sobre a doença, que tem alta taxa de mortalidade e pode evoluir rapidamente para quadros graves. A infecção é transmitida principalmente pelo contato com partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres contaminados.

No Brasil, a forma mais comum da doença é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que costuma começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. De acordo com o infectologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da UFMS (Humap-UFMS/HU Brasil), Alexandre Albuquerque Bertucci, os sinais iniciais podem surgir entre cinco e cinquenta dias após a exposição ao vírus.

“As síndromes cardiopulmonares por hantavírus apresentam sintomas iniciais muito inespecíficos, que podem ser confundidos com quadros gripais. A doença geralmente começa com febre, dor muscular, dor de cabeça, calafrios, dor abdominal e vômitos, evoluindo posteriormente para tosse, falta de ar, taquicardia e hipotensão”, explica.

Segundo o médico, com a progressão da doença, ocorre aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, o que pode causar edema pulmonar e choque cardiogênico. Esse quadro contribui para a taxa de mortalidade elevada, estimada entre 20% e 45%.

“Infelizmente, até hoje não existe tratamento antiviral específico aprovado para o hantavírus. Por isso, a suspeita clínica precoce e o suporte médico adequado são fundamentais para reduzir os riscos de agravamento”, afirma.

A orientação é procurar atendimento médico sempre que houver febre persistente por mais de 48 horas associada a sintomas como dores no corpo, vômitos, diarreia, dor abdominal ou dificuldade respiratória, principalmente após contato com áreas com presença de roedores ou viagens para regiões consideradas de risco.

Entre os principais fatores associados à infecção estão atividades em áreas rurais, limpeza de depósitos, celeiros, galpões fechados e locais abandonados, além de situações que favorecem a inalação de poeira contaminada.

Para reduzir o risco, a recomendação é evitar o contato com roedores e seus dejetos, vedar frestas em imóveis, armazenar alimentos de forma adequada e eliminar entulhos próximos às residências. Durante a limpeza de locais fechados ou com sinais de infestação, é indicado o uso de equipamentos de proteção.

“É importante utilizar luvas e máscaras, ventilar bem o ambiente e umedecer o local com água sanitária ou desinfetante antes da limpeza. Deve-se evitar varrer ou aspirar, pois isso faz com que partículas contaminadas sejam suspensas no ar e inaladas”, orienta o infectologista.

O especialista também esclarece que, no Brasil, ratos urbanos não são os principais transmissores da doença. Os casos estão mais associados a roedores silvestres encontrados em áreas rurais e de mata.

Outro ponto observado é a possibilidade de transmissão entre pessoas, considerada rara. Segundo o médico, apenas a variante Andes do hantavírus, identificada na América do Sul, possui capacidade comprovada de transmissão interpessoal.

Casos recentes investigados pela Organização Mundial da Saúde envolveram passageiros de um cruzeiro internacional, mas não têm relação com os registros confirmados no Brasil.

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