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Governo Lula lança plano de R$ 11 bilhões e coloca MS no centro do combate ao tráfico

Estado concentra cerca de 40% das apreensões de drogas do país e deve se tornar peça estratégica da ofensiva federal contra facções criminosas

19/05/2026 às 11h23 Atualizada em 21/05/2026 às 15h04
Por: João Paulo Ferreira
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Apreensões de drogas em Mato Grosso do Sul dispararam em 2026 e colocaram o estado no centro do novo plano federal de R$ 11,1 bilhões contra o crime organizado - Foto: DOF
Apreensões de drogas em Mato Grosso do Sul dispararam em 2026 e colocaram o estado no centro do novo plano federal de R$ 11,1 bilhões contra o crime organizado - Foto: DOF

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou um plano nacional de R$ 11,1 bilhões para combater o crime organizado e colocou Mato Grosso do Sul entre os estados estratégicos da nova ofensiva federal. O peso de MS no programa aparece diretamente nos números das apreensões de drogas: somente no primeiro trimestre de 2026, as forças de segurança apreenderam 116,3 toneladas de entorpecentes no estado, alta de 151% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume representa cerca de 40% de toda a droga apreendida no país no período.

Batizado de “Brasil Contra o Crime Organizado”, o programa federal prevê investimentos em inteligência policial, fortalecimento do sistema prisional, combate financeiro às facções, integração entre forças estaduais e federais e reforço nas fronteiras. O pacote foi apresentado pelo Ministério da Justiça como a maior ofensiva nacional dos últimos anos contra organizações criminosas.

Mato Grosso do Sul entrou no centro da estratégia nacional principalmente pela posição geográfica. O estado possui mais de 1.500 quilômetros de fronteira seca com Paraguai e Bolívia, principais rotas de entrada de cocaína e maconha no Brasil. Além disso, o avanço da Rota Bioceânica vem ampliando a preocupação das autoridades de segurança sobre o uso da nova estrutura logística pelo tráfico internacional.

Nos bastidores da segurança pública, a avaliação é que a nova rota comercial pode acelerar o fluxo de cargas ilegais, ampliar o transporte clandestino de drogas e fortalecer operações de facções criminosas na região de fronteira. Municípios como Ponta Porã, Corumbá, Dourados e Campo Grande já aparecem há anos entre os principais corredores do tráfico no Centro-Oeste.

Operações recentes da Polícia Federal, DOF, Polícia Civil e forças estaduais têm mostrado crescimento no uso de caminhões, veículos clonados, pistas clandestinas e rotas rurais para transporte de drogas, armas e dinheiro ligado às facções.

O governo federal ainda não detalhou quanto Mato Grosso do Sul receberá do pacote de R$ 11,1 bilhões nem quais estruturas locais serão contempladas diretamente. A expectativa é que estados considerados estratégicos para o combate ao tráfico tenham prioridade em equipamentos, tecnologia, monitoramento de fronteira e reforço operacional.

Entre os pontos que devem entrar no radar estão investimentos em inteligência, modernização de presídios, integração entre bases policiais e ampliação do monitoramento em áreas de fronteira.

O tema ganha ainda mais força nesta semana porque Campo Grande vai sediar, entre os dias 21 e 23 de maio, o IX Encontro do Fórum Nacional de Juízes Criminais. O evento terá como tema “O avanço do crime e a inovação da jurisdição penal” e deve reunir magistrados de vários estados para discutir o crescimento das facções, lavagem de dinheiro, sistema prisional e estratégias de enfrentamento ao crime organizado.

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