Mato Grosso do Sul chegou ao maior número de mortes por chikungunya já registrado em sua história. Ainda antes do fim de maio, o estado já confirmou 18 óbitos pela doença em 2026, superando todo o ano passado, quando haviam sido registradas 17 mortes.
O epicentro da crise segue sendo Dourados, que concentra 12 das 18 mortes confirmadas no estado. Dessas vítimas, 10 eram indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó. Outros óbitos foram registrados em Bonito, Jardim, Fátima do Sul e Douradina.
Além das mortes já confirmadas, outros dois óbitos suspeitos seguem em investigação em Dourados.
Os dados constam nos boletins epidemiológicos mais recentes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e consolidam Mato Grosso do Sul como líder nacional da chikungunya em 2026. O estado também registra incidência cerca de 20 vezes maior que a média brasileira, com 417,9 casos para cada 100 mil habitantes.
O avanço acelerado da doença colocou Mato Grosso do Sul no pior cenário já registrado desde o início da série histórica da chikungunya. Em menos de cinco meses, o número de casos deste ano já ultrapassa 81% de todos os registros contabilizados em 2025.
A escalada começou nas aldeias indígenas de Dourados e, ao longo dos últimos meses, avançou para bairros urbanos e outros municípios do estado. A cidade passou a concentrar internações, mortes e as maiores taxas de circulação do vírus em Mato Grosso do Sul.
Mesmo após decretos de emergência, envio da Força Nacional do SUS, abertura de leitos, reforço hospitalar, contratação emergencial de profissionais e ações do Ministério da Saúde, os números seguiram em crescimento.
O estado já soma quase 9 mil casos prováveis da doença em 2026, com transmissão registrada em praticamente todos os municípios sul-mato-grossenses.
A crise sanitária em Dourados também provocou pressão sobre UPAs, Hospital da Vida e rede pública municipal, além de embates envolvendo plantões médicos, falta de profissionais e críticas à condução da resposta da prefeitura durante o avanço da epidemia.