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Consórcio Guaicurus trava acesso a documentos e Prefeitura suspeita de venda da empresa

Processo de intervenção no transporte coletivo de Campo Grande ganhou novo capítulo após auditoria externa, rumores de negociação com grupo de fora do estado e disputa judicial por acesso a dados internos

21/05/2026 às 09h01 Atualizada em 22/05/2026 às 09h31
Por: João Paulo Ferreira
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A crise no transporte coletivo de Campo Grande ganhou um novo componente político e empresarial nas últimas semanas. Enquanto a Prefeitura conduz o processo administrativo que pode resultar em intervenção no Consórcio Guaicurus, cresceram nos bastidores os rumores sobre uma possível venda da concessionária para um grupo empresarial de fora de Mato Grosso do Sul.

Ao mesmo tempo, a administração municipal afirma enfrentar resistência da empresa para acessar documentos, sistemas financeiros e dados operacionais considerados essenciais para a investigação em andamento. O conflito já chegou à Justiça.

A abertura do processo administrativo ocorreu após decisão judicial que autorizou a Prefeitura a avançar com a apuração sobre possíveis falhas na execução do contrato do transporte coletivo da Capital. O município sustenta que há dificuldades para obter informações internas do Consórcio, o que estaria comprometendo a análise técnica necessária para concluir o procedimento.

Diante da situação, a Prefeitura pediu mais 60 dias para finalizar os trabalhos e também recorreu à Justiça para garantir acesso aos dados da concessionária. Entre os pontos apontados pelo município estão obstáculos para consultar sistemas financeiros, operacionais e documentos internos ligados à prestação do serviço.

A administração municipal também solicitou medidas cautelares para impedir eventual venda de bens ligados à concessão, como ônibus e garagens, durante o andamento da investigação. O pedido aumentou os questionamentos sobre uma possível tentativa de reorganização empresarial em meio à ameaça de intervenção.

Nos bastidores do setor de transporte, ganharam força relatos de que o Consórcio estaria passando por um processo de due diligence — auditoria externa normalmente utilizada em negociações empresariais, fusões ou venda de operações. Reportagens publicadas na imprensa local apontam que representantes de um grupo empresarial de Goiás e do Distrito Federal já teriam visitado garagens e estruturas operacionais das empresas que compõem o Consórcio Guaicurus.

A suspeita ganhou ainda mais repercussão após mudanças recentes no comando da concessionária. A troca na presidência do grupo ocorreu justamente no período em que avançaram as discussões sobre possível intervenção da Prefeitura e aumentaram as disputas judiciais envolvendo a concessão.

O Consórcio Guaicurus nega oficialmente qualquer negociação de venda. Em nota divulgada anteriormente, a empresa afirmou que auditorias são procedimentos rotineiros e previstos contratualmente, sem relação com transferência de controle societário.

A Prefeitura, por outro lado, afirma que não recebeu qualquer comunicação formal sobre eventual mudança societária, embora o contrato de concessão exija autorização do município para alterações desse tipo.

O caso ocorre em meio a uma sequência de crises envolvendo o transporte coletivo de Campo Grande, incluindo reclamações sobre atraso de ônibus, frota envelhecida, superlotação, greve de motoristas, questionamentos sobre a tarifa e investigações conduzidas pela CPI do Transporte na Câmara Municipal.

A própria Justiça já manteve, por unanimidade, a continuidade do processo de intervenção após analisar recursos ligados ao caso. Em uma das decisões recentes, o Tribunal de Justiça apontou existência de indícios suficientes para prosseguimento da investigação administrativa sobre a prestação do serviço na Capital.

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