
A vereadora Isa Marcondes (Republicanos), a mais votada de Dourados nas eleições de 2024, será julgada pela Câmara Municipal às 15h desta sexta-feira (29), em sessão extraordinária que pode resultar na cassação do mandato. A votação ocorre após meses de forte embate político entre a parlamentar e a Prefeitura de Dourados, especialmente durante a crise enfrentada pela rede municipal de saúde e o avanço da chikungunya no município.
A Câmara vai analisar o relatório final da comissão processante aberta para apurar suposto uso irregular da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), verba indenizatória destinada a despesas do mandato.
A denúncia foi protocolada pelo advogado Wagner Batista da Silva e aponta R$ 33.812,36 em ressarcimentos com combustível entre junho e novembro de 2025. Segundo a representação, parte dos gastos apresentados pela vereadora não teria ligação comprovada com atividades parlamentares.
Entre os deslocamentos mencionados no processo aparecem viagens para Jateí, Itaporã, Maracaju, Ivinhema, Rio Brilhante, Caarapó e Campo Grande. Também foi incluída no caso a viagem ao festival Tomorrowland Brasil, em Itu (SP), ponto que ganhou maior repercussão pública desde a abertura do processo.
Isa nega irregularidades. A vereadora afirma que os gastos foram feitos dentro das regras da atividade parlamentar e sustenta que o processo ocorre em meio ao acirramento político provocado pela atuação dela em fiscalizações e cobranças à administração municipal.
Nos últimos meses, Isa esteve entre as vozes mais ativas da Câmara em cobranças públicas sobre a estrutura da saúde em Dourados. Durante o período de aumento expressivo de casos de chikungunya, a vereadora fez fiscalizações em unidades da rede municipal, publicou vídeos, cobrou providências e ampliou o confronto político com a prefeitura.
A denúncia contra ela foi aceita em fevereiro, quando a abertura da comissão processante recebeu 17 votos favoráveis e dois contrários. Votaram contra Alex Cadeirante (PSDB) e Dill do Povo (União Brasil).
O relatório que será levado ao plenário foi elaborado pela comissão formada por Márcio Pudim (PSDB), presidente; Cemar Arnal (PP), relator; e Ana Paula Benitez (Republicanos), membro.
Para cassar o mandato, a Câmara precisa de 14 votos favoráveis, equivalente a dois terços dos 21 vereadores.
A sessão desta sexta-feira será transmitida pelos canais oficiais da Câmara Municipal de Dourados.