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Fronteira de MS vira foco internacional após PCC e CV serem tratados como terroristas

Decisão anunciada pelos Estados Unidos colocou Mato Grosso do Sul no centro do debate sobre crime organizado e ampliou pressão por reforço na fronteira com Paraguai e Bolívia

29/05/2026 às 13h14 Atualizada em 01/06/2026 às 08h36
Por: João Paulo Ferreira
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Mato Grosso do Sul tem a maior fronteira seca do país com o Paraguai e concentra parte das principais rotas monitoradas pelas forças de segurança na região de fronteira
Mato Grosso do Sul tem a maior fronteira seca do país com o Paraguai e concentra parte das principais rotas monitoradas pelas forças de segurança na região de fronteira

Mato Grosso do Sul voltou ao centro do debate nacional sobre segurança pública após os Estados Unidos confirmarem nesta quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que passa a valer em 5 de junho, tem reflexo direto sobre o Estado, que abriga a maior fronteira seca do Brasil com o Paraguai e mantém corredores históricos usados pelo tráfico internacional de drogas e armas.

O assunto ganhou força em Mato Grosso do Sul desde quarta-feira (27), após voltar ao centro das discussões sobre segurança pública e fronteira no Estado. A repercussão veio em meio à recaptura do narcotraficante Gerson Palermo, apontado como nome histórico do PCC ligado à faixa de fronteira com a Bolívia e transferido nesta semana para Campo Grande sob forte esquema de segurança. O avanço das duas principais facções do país voltou a ser debatido justamente pela ligação histórica com cidades estratégicas como Ponta Porã, Coronel Sapucaia e Corumbá, usadas há décadas como rotas do tráfico internacional de drogas e armas.

A repercussão teve resposta imediata do governador Eduardo Riedel (PSDB). Em declaração publicada nesta manhã, ele classificou a decisão americana como “bem-vinda para Mato Grosso do Sul” e cobrou reforço da União nas fronteiras. Segundo Riedel, o Estado tem condição geográfica específica e precisa de mais presença da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das áreas de inteligência diante do avanço das facções criminosas.

A decisão americana não altera automaticamente a legislação brasileira.

No Brasil, PCC e CV continuam enquadrados como organizações criminosas. A Lei Antiterrorismo brasileira tem critérios próprios e não incorpora de forma automática classificações feitas por outros países. Na prática, porém, o anúncio dos EUA amplia a pressão internacional sobre movimentações financeiras ligadas às facções e tende a aumentar cooperação de inteligência e monitoramento em rotas de tráfico — cenário que atinge diretamente Mato Grosso do Sul por causa da posição estratégica na fronteira.

A discussão também ganhou contorno político.

Em ano eleitoral, o tema passou a ser explorado por parlamentares e lideranças ligados à pauta de endurecimento penal e combate ao crime organizado. Em Mato Grosso do Sul, nomes da bancada conservadora se manifestaram favoravelmente ao anúncio americano e defenderam reforço das operações na fronteira. O senador Nelsinho Trad (PSD) declarou apoio à medida, enquanto o deputado federal Luiz Ovando (PP) avaliou que a decisão fortalece o combate internacional às facções.

A fronteira sul-mato-grossense é tratada há anos como uma das principais rotas do narcotráfico na América do Sul. A ligação terrestre com Paraguai e Bolívia mantém fluxo constante monitorado por forças estaduais e federais e aparece com frequência em investigações sobre cocaína, armas e lavagem de dinheiro.

Com a nova classificação anunciada pelos Estados Unidos e a pressão política crescendo no país, Mato Grosso do Sul entra novamente no radar internacional quando o assunto é combate ao crime organizado.

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