
Mato Grosso do Sul voltou ao centro do debate nacional sobre segurança pública após os Estados Unidos confirmarem nesta quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que passa a valer em 5 de junho, tem reflexo direto sobre o Estado, que abriga a maior fronteira seca do Brasil com o Paraguai e mantém corredores históricos usados pelo tráfico internacional de drogas e armas.
O assunto ganhou força em Mato Grosso do Sul desde quarta-feira (27), após voltar ao centro das discussões sobre segurança pública e fronteira no Estado. A repercussão veio em meio à recaptura do narcotraficante Gerson Palermo, apontado como nome histórico do PCC ligado à faixa de fronteira com a Bolívia e transferido nesta semana para Campo Grande sob forte esquema de segurança. O avanço das duas principais facções do país voltou a ser debatido justamente pela ligação histórica com cidades estratégicas como Ponta Porã, Coronel Sapucaia e Corumbá, usadas há décadas como rotas do tráfico internacional de drogas e armas.
A repercussão teve resposta imediata do governador Eduardo Riedel (PSDB). Em declaração publicada nesta manhã, ele classificou a decisão americana como “bem-vinda para Mato Grosso do Sul” e cobrou reforço da União nas fronteiras. Segundo Riedel, o Estado tem condição geográfica específica e precisa de mais presença da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das áreas de inteligência diante do avanço das facções criminosas.
No Brasil, PCC e CV continuam enquadrados como organizações criminosas. A Lei Antiterrorismo brasileira tem critérios próprios e não incorpora de forma automática classificações feitas por outros países. Na prática, porém, o anúncio dos EUA amplia a pressão internacional sobre movimentações financeiras ligadas às facções e tende a aumentar cooperação de inteligência e monitoramento em rotas de tráfico — cenário que atinge diretamente Mato Grosso do Sul por causa da posição estratégica na fronteira.
Em ano eleitoral, o tema passou a ser explorado por parlamentares e lideranças ligados à pauta de endurecimento penal e combate ao crime organizado. Em Mato Grosso do Sul, nomes da bancada conservadora se manifestaram favoravelmente ao anúncio americano e defenderam reforço das operações na fronteira. O senador Nelsinho Trad (PSD) declarou apoio à medida, enquanto o deputado federal Luiz Ovando (PP) avaliou que a decisão fortalece o combate internacional às facções.
A fronteira sul-mato-grossense é tratada há anos como uma das principais rotas do narcotráfico na América do Sul. A ligação terrestre com Paraguai e Bolívia mantém fluxo constante monitorado por forças estaduais e federais e aparece com frequência em investigações sobre cocaína, armas e lavagem de dinheiro.
Com a nova classificação anunciada pelos Estados Unidos e a pressão política crescendo no país, Mato Grosso do Sul entra novamente no radar internacional quando o assunto é combate ao crime organizado.