17°C 24°C
Campo Grande, MS
Publicidade

Corumbá lidera no país rota de entrada de migrantes resgatados do trabalho escravo

Levantamento nacional apontou município de MS como principal porta de entrada do Brasil em casos ligados à exploração de trabalhadores estrangeiros; Ponta Porã também aparece entre os cinco primeiros

01/06/2026 às 07h59 Atualizada em 02/06/2026 às 08h47
Por: João Paulo Ferreira
Compartilhe:
Corumbá aparece no topo do país entre os municípios ligados à entrada de migrantes estrangeiros que depois foram resgatados em situação análoga à escravidão, segundo dados do SmartLab Trabalho Escravo - Foto: Leonardo Cabral
Corumbá aparece no topo do país entre os municípios ligados à entrada de migrantes estrangeiros que depois foram resgatados em situação análoga à escravidão, segundo dados do SmartLab Trabalho Escravo - Foto: Leonardo Cabral

Corumbá lidera hoje no país a rota de entrada de migrantes estrangeiros que depois foram resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil. O dado coloca Mato Grosso do Sul no centro de uma das principais portas de entrada dessa rede de exploração e reforça o alerta sobre a vulnerabilidade da fronteira oeste do Estado.

O levantamento, com base em dados do SmartLab Trabalho Escravo — plataforma do Ministério Público do Trabalho e da Organização Internacional do Trabalho — mostrou que Corumbá concentra 29,1% dos registros nacionais de entrada de trabalhadores estrangeiros encontrados posteriormente em situação de trabalho escravo. Ponta Porã aparece em quinto lugar no ranking, com 8,25%.

Os números reforçam um cenário que já vinha sendo monitorado por órgãos federais. Mato Grosso do Sul aparece como o segundo estado brasileiro com maior número de migrantes internacionais resgatados de trabalho escravo entre 2010 e 2024, com 143 casos registrados. Apenas São Paulo aparece à frente.

Os registros também mostram quem são esses trabalhadores e onde estão sendo encontrados. Segundo o levantamento nacional, a maior parte dos migrantes internacionais resgatados em Mato Grosso do Sul era formada por paraguaios, todos homens. As atividades com maior incidência foram pecuária, responsável por 39% dos casos, e lavouras, com 32%.

A presença de Corumbá no topo do ranking nacional acompanha outro alerta divulgado neste ano. Em abril de 2026, relatório elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em parceria com a Organização Internacional para as Migrações apontou Campo Grande e Corumbá como dois dos principais eixos brasileiros de entrada, saída e circulação em rotas de contrabando de migrantes.

O documento federal descreve a atuação de redes estruturadas com recrutadores, intermediários e transporte irregular de pessoas, além do uso crescente de redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair migrantes com falsas promessas de trabalho ou deslocamento facilitado.

A posição estratégica de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, e de Ponta Porã, na divisa com o Paraguai, ajuda a explicar a concentração de registros em Mato Grosso do Sul. As duas cidades funcionam como corredores terrestres permanentes de circulação internacional e mantêm fluxo intenso diário de pessoas e cargas.

Além da entrada desses trabalhadores no território brasileiro, o Estado também registra histórico relevante de resgates. Entre 1995 e 2024, Mato Grosso do Sul contabilizou 3.243 pessoas resgatadas em situações análogas à escravidão em diferentes operações de fiscalização.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.