
Lucas Rodrigues Tavares, que entrou na Apae de Campo Grande em julho de 2021 como auxiliar na oficina ortopédica, passou a atuar em 2026 como terapeuta ocupacional no Centro Especializado em Reabilitação e Oficina Ortopédica da instituição. A mudança ocorreu após ele descobrir a área durante a rotina de atendimento aos pacientes e concluir a graduação em Terapia Ocupacional no fim de 2025.
Lucas chegou à Apae durante a pandemia, após ser selecionado para uma vaga de auxiliar ortopédico. Até então, não planejava seguir carreira na área da saúde. O contato diário com pacientes, profissionais do centro de reabilitação e procedimentos ligados à autonomia dos usuários mudou a trajetória profissional dele.
“Estávamos na pandemia, em 2021. Me ligaram, fiz a entrevista e na outra semana já fui selecionado para a vaga”, contou.
A decisão pela Terapia Ocupacional surgiu durante o trabalho na oficina ortopédica. Segundo Lucas, um atendimento específico marcou a escolha da profissão: a entrega da primeira prótese a uma criança.
“Houve um momento, quando fui fazer a entrega da primeira prótese para uma menina de quatro ou cinco anos. Ela nunca tinha usado e, quando colocou pela primeira vez, saiu correndo e chamando a mãe. Aquilo me marcou profundamente e me fez entender que essa era realmente a minha profissão”, lembrou.
Depois dessa experiência, Lucas iniciou a graduação em Terapia Ocupacional e concluiu o curso no fim de 2025. Há um mês, passou a integrar oficialmente a equipe do CER/APAE na nova função.
“Quando entrei não imaginava seguir na área da saúde, mas vivenciando os atendimentos, vendo cada paciente e conhecendo as várias áreas dentro do CER, me encontrei na Terapia Ocupacional, onde podemos transformar a vida de uma criança, devolvendo autonomia e independência”, relatou.
Na avaliação de Lucas, a mudança representa também uma forma de devolver à instituição parte do aprendizado recebido ao longo dos anos.
“Para mim é maravilhoso olhar para o caminho que percorri. Foram muitos desafios, altos e baixos, e ver que todo esforço valeu a pena. Agora posso retribuir aos pacientes e ao lugar que investiu em mim”, afirmou.
Ele define a Apae de Campo Grande como uma escola de vida, tanto pela formação profissional quanto pelo contato direto com as necessidades dos pacientes atendidos no centro de reabilitação.
“A APAE foi e continua sendo uma grande escola de vida e solidariedade com os que mais precisam. Aqui cresci profissionalmente e também como pessoa, aprendendo a nos colocarmos no lugar dos pacientes que precisam de nós”, disse.
Atualmente, Lucas atua no atendimento e na reabilitação de pacientes no CER/APAE. Segundo ele, a formação em Terapia Ocupacional mudou sua realidade pessoal e profissional, além de ampliar sua participação no processo de cuidado.
“Mesmo com as dificuldades do caminho até a formação, não desistam. Todo esforço e dedicação valem a pena. Ver a evolução do paciente e saber que você fez parte disso não tem preço”, frisou.