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Brasil investiga dois casos suspeitos de ebola

Pacientes apresentaram sintomas compatíveis com a doença após passagem por países africanos

02/06/2026 às 08h25 Atualizada em 03/06/2026 às 08h38
Por: João Paulo Ferreira
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Brasil mantém protocolos de vigilância enquanto investiga dois casos suspeitos de ebola registrados no país - Foto: João Paulo Ferreira
Brasil mantém protocolos de vigilância enquanto investiga dois casos suspeitos de ebola registrados no país - Foto: João Paulo Ferreira

O Brasil investiga dois casos suspeitos de ebola registrados entre sábado (30) e domingo (31) em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os pacientes estiveram recentemente em países africanos com circulação do vírus e apresentaram sintomas compatíveis com a doença. Até o momento, não há confirmação de ebola no país. Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde mantém protocolo específico para atendimento e isolamento de eventuais casos suspeitos em nove municípios considerados estratégicos.

O caso mais grave é o de um homem de 37 anos, natural da República Democrática do Congo, que está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ele procurou atendimento inicialmente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com febre alta. Após a transferência para o hospital de referência, apresentou diarreia, desorientação e rápida piora do quadro clínico, precisando ser intubado.

Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz identificaram a bactéria Neisseria meningitidis, responsável pela meningite meningocócica. Apesar do diagnóstico, as autoridades mantiveram a investigação para ebola devido ao histórico recente de viagem à República Democrática do Congo, país que registrou casos da doença. O paciente segue isolado enquanto são concluídos os exames específicos para descartar a infecção pelo vírus.

O segundo caso investigado envolve um cidadão belga que esteve em Uganda antes de chegar ao Brasil. Ele foi atendido no Rio de Janeiro após apresentar sintomas compatíveis com doenças infecciosas e acabou colocado em isolamento preventivo. Exames iniciais apontaram malária, mas as equipes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mantiveram os protocolos de segurança até a conclusão das análises laboratoriais.

Pessoas que tiveram contato com os dois pacientes passaram a ser monitoradas pelas autoridades sanitárias. O procedimento faz parte do protocolo internacional adotado para doenças de alta gravidade e inclui rastreamento de contatos, acompanhamento clínico e monitoramento por até 21 dias, período máximo de incubação do vírus.

O Ministério da Saúde informou que todas as medidas previstas no Plano de Contingência Nacional para Doença pelo Vírus Ebola foram adotadas imediatamente após as notificações. A pasta reforçou que o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul é considerado baixo e destacou que não existe transmissão comunitária da enfermidade no continente.

Segundo o ministério, a transmissão do ebola ocorre apenas por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas que já apresentam sintomas. A doença não é transmitida pelo ar.

Em Mato Grosso do Sul, o plano de vigilância para doenças altamente infecciosas prevê atendimento de casos suspeitos em nove municípios considerados prioritários: Campo Grande, Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Porto Murtinho, Bela Vista, Bonito, Mundo Novo e Três Lagoas. Cada município deve manter estrutura para isolamento inicial do paciente, investigação epidemiológica e comunicação imediata às autoridades estaduais e federais.

O protocolo também determina a análise do histórico de viagens do paciente e o monitoramento de pessoas que tenham mantido contato próximo com o caso suspeito. Em situações de risco, amostras são encaminhadas para laboratórios de referência definidos pelo Ministério da Saúde.

O ebola é uma doença viral grave identificada pela primeira vez em 1976. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza intensa, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em casos mais severos, podem ocorrer hemorragias e falência de órgãos. O período de incubação varia de dois a 21 dias.

O Brasil nunca registrou um caso confirmado de ebola. Mesmo assim, o país mantém protocolos específicos de vigilância para responder rapidamente a suspeitas envolvendo viajantes vindos de regiões com circulação da doença.

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