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VÍDEO: Operação mira R$ 116 milhões do Comando Vermelho e põe cidades de MS na rota da lavagem

Investigação aponta que dinheiro do tráfico foi pulverizado em depósitos, laranjas e empresas de fachada; Sete Quedas aparece entre os principais pontos do esquema

02/06/2026 às 15h15 Atualizada em 03/06/2026 às 09h25
Por: João Paulo Ferreira
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Operação Riqueza Sombria cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas durante investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho - Foto: Polícia Civil MS
Operação Riqueza Sombria cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas durante investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho - Foto: Polícia Civil MS

Mato Grosso do Sul entrou no centro de uma investigação interestadual que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV). Deflagrada nesta terça-feira (2), a Operação Riqueza Sombria investiga a movimentação de mais de R$ 116,6 milhões entre 2017 e 2021 e cumpre mandados em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, além de cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

A operação é coordenada pela 96ª Delegacia de Polícia de Miguel Pereira (RJ) e conta com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das polícias civis dos estados envolvidos. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão contra investigados e empresas suspeitas de integrar a estrutura financeira da facção criminosa.

Arma e munições foram apreendidas durante o cumprimento dos mandados em Mato Grosso do Sul; duas pessoas acabaram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo

Até a publicação das primeiras informações, dois homens haviam sido presos em Mato Grosso do Sul por porte ilegal de arma de fogo durante o cumprimento das ordens judiciais. Um deles foi detido em Sete Quedas e o outro em Campo Grande. Além das prisões, os policiais apreenderam armas, celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.

As investigações tiveram início a partir de uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na zona norte do Rio de Janeiro. Na ocasião, policiais encontraram comprovantes bancários que revelaram movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. A análise do material levou à descoberta de uma rede financeira usada para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, o grupo utilizava uma técnica conhecida como "smurfing", na qual grandes quantias são divididas em dezenas de pequenos depósitos em espécie para evitar alertas automáticos dos sistemas de monitoramento financeiro. O dinheiro arrecadado em áreas dominadas pelo Comando Vermelho era pulverizado em contas de pessoas físicas e empresas de fachada antes de ser reinserido no sistema financeiro formal.

Os relatórios de inteligência financeira apontaram que parte importante dos beneficiários desses depósitos estava concentrada em Sete Quedas, município localizado na fronteira com o Paraguai. Para os investigadores, a localização reforça a hipótese de que a estrutura financeira acompanhava as mesmas rotas utilizadas pelo tráfico para a circulação de drogas, armas e recursos ilícitos.

De acordo com as apurações, os investigados declaravam rendimentos incompatíveis com as movimentações registradas. Em um dos casos analisados, um suspeito recebeu 54 depósitos em espécie que somaram quase R$ 68 mil ao longo de quatro anos. Os investigadores acreditam que os números identificados até agora representam apenas parte da estrutura financeira utilizada pela organização criminosa.

Em Sete Quedas, equipes do Garras e da DHPP participaram das diligências. Em um dos endereços alvo da operação, os policiais apreenderam notebook e HD externo que serão analisados para rastrear movimentações bancárias e identificar outros envolvidos.

A expectativa das autoridades é que o material recolhido permita aprofundar a análise patrimonial dos investigados, identificar todos os integrantes da rede e responsabilizar criminalmente os envolvidos no esquema que, segundo a investigação, sustentava financeiramente atividades do Comando Vermelho em diferentes estados do país.

Confira o vídeo:

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