
Mato Grosso do Sul registrou a venda de 27.084 veículos novos entre janeiro e maio de 2026, segundo balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) na terça-feira (2). O resultado representa crescimento de 3,12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram emplacadas 26.264 unidades no estado.
Os números mostram que o mercado automotivo sul-mato-grossense segue em expansão. As motocicletas lideraram as vendas no período, com 11.282 unidades comercializadas, o equivalente a 41,66% de todos os emplacamentos registrados no estado.
Os automóveis ficaram na segunda posição, com 8.656 unidades vendidas. O segmento apresentou crescimento de 9,27% na comparação com os cinco primeiros meses do ano passado.
Os comerciais leves, categoria que inclui picapes e utilitários, também registraram avanço. Foram 4.055 unidades comercializadas, alta de 9,48% em relação ao mesmo período de 2025.
Um dos destaques do levantamento foi o desempenho do segmento de caminhões. As vendas chegaram a 717 unidades, crescimento de 26,9% na comparação anual, um dos maiores percentuais de expansão entre todas as categorias acompanhadas pela Fenabrave.
Campo Grande concentrou a maior parte dos negócios realizados no estado. A Capital respondeu por 11.596 emplacamentos entre janeiro e maio, o equivalente a cerca de 42,8% de todas as vendas registradas em Mato Grosso do Sul.
Apesar do crescimento apontado pelos números da Fenabrave, nem todos os segmentos do mercado percebem o mesmo ritmo de aquecimento.
Em conversa exclusiva com O Sul-mato-grossense, o gerente comercial da BMW, MINI e Motorrad do Grupo Raviera, André Luiz, afirmou que o cenário observado no segmento premium é diferente do registrado no mercado como um todo.
“Embora os dados da Fenabrave apontem crescimento no acumulado do semestre em Mato Grosso do Sul, na prática não estamos sentindo esse aquecimento de forma clara no varejo tradicional, especialmente no segmento premium e de luxo”, afirmou.
Segundo ele, o consumidor sul-mato-grossense tem demonstrado mais cautela nas compras de maior valor agregado, especialmente em setores ligados ao agronegócio.
“Muitos produtores rurais e pecuaristas estão mais cautelosos e com menor propensão a consumir veículos de maior valor agregado, reflexo das dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor produtivo, com custos elevados de insumos e defensivos e pressão sobre as margens”, explicou.
O gerente também avalia que a forte dependência da economia estadual em relação ao agronegócio influencia diretamente o comportamento do mercado automotivo.
“Aqui no MS percebemos um público mais conservador, priorizando necessidades práticas e reagindo à instabilidade de custos e renda no campo”, completou.
No cenário nacional, o mercado automotivo registrou desempenho ainda mais forte. Segundo a Fenabrave, o Brasil acumulou 2,22 milhões de veículos novos vendidos entre janeiro e maio de 2026, alta de 15,3% em comparação com o mesmo período de 2025.