O governador Eduardo Riedel decretou emergência ambiental por 180 dias em todo Mato Grosso do Sul para reforçar a prevenção e o combate aos incêndios florestais diante da previsão de condições climáticas adversas nos próximos meses. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado e permite a adoção de ações emergenciais para enfrentar o período de seca, com atenção especial ao Pantanal, região que sofreu uma das piores temporadas de queimadas de sua história em 2024.
O decreto considera dados técnicos que apontam para um cenário de risco elevado no segundo semestre de 2026. Segundo estudos utilizados pelo governo estadual, a combinação de temperaturas acima de 30°C, ventos superiores a 30 km/h e umidade relativa do ar abaixo de 30% cria condições favoráveis para a rápida propagação do fogo em áreas de vegetação nativa.
Com a emergência ambiental em vigor, o Estado poderá realizar contratações temporárias de pessoal para atuar no combate aos incêndios, além de adquirir equipamentos, materiais e serviços de forma emergencial. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta antes do início do período mais crítico da estiagem.
O decreto também autoriza a execução de ações preventivas, como abertura de aceiros e outras medidas de manejo integrado do fogo, consideradas fundamentais para reduzir o avanço das chamas em áreas de maior vulnerabilidade.
Outro ponto previsto é a possibilidade de ingresso em propriedades privadas quando houver necessidade de ações emergenciais de prevenção ou combate a incêndios florestais. A medida poderá ser adotada por equipes autorizadas em situações que representem risco à segurança ambiental ou à população.
A decisão ocorre em um momento de preocupação crescente com as condições climáticas previstas para os próximos meses. Relatórios técnicos do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) indicam a possibilidade de agravamento da seca em diversas regiões do Estado, especialmente no Pantanal, onde a vegetação seca e os ventos fortes costumam favorecer a ocorrência de grandes incêndios.
A lembrança da crise ambiental de 2024 ainda pesa sobre o planejamento estadual. Naquele ano, milhares de focos de calor foram registrados no Pantanal e extensas áreas do bioma foram atingidas pelas chamas, mobilizando forças estaduais, federais e brigadistas voluntários em uma das maiores operações de combate ao fogo já realizadas na região.
Desde então, o governo estadual vem ampliando investimentos em monitoramento, prevenção e estrutura operacional para reduzir os impactos de novos eventos extremos. A estratégia inclui integração entre órgãos ambientais, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar, forças de segurança e instituições federais.
Segundo o governo, a antecipação das medidas busca evitar que o Estado seja surpreendido por um cenário semelhante ao registrado nos últimos anos. A intenção é garantir equipes mobilizadas, equipamentos disponíveis e capacidade de resposta rápida caso as previsões climáticas se confirmem durante o período de seca.