Justiça COMOÇÃO
Família se revolta após Justiça soltar motorista que matou estudante de enfermagem em Coxim
Acusado de atropelar Letícia Camargo quando ela seguia para o estágio deixou a prisão mediante fiança de R$ 10 mil e passará a usar tornozeleira eletrônica
09/06/2026 08h36 Atualizada há 2 dias
Por: João Paulo Ferreira
Letícia Camargo, estudante de Enfermagem da UFMS, morreu em novembro de 2025 após ser atropelada por um ônibus escolar quando seguia para o estágio em Coxim

A decisão da Justiça que colocou em liberdade o servidor municipal Cleyton Matos Campos, acusado de atropelar e matar a estudante de enfermagem Letícia Camargo, de 25 anos, continua provocando indignação entre familiares e amigos da vítima em Coxim. A revogação da prisão preventiva foi divulgada na segunda-feira (8), permitindo que o acusado responda ao processo em liberdade mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil e uso de tornozeleira eletrônica. O próximo julgamento do caso está marcado para 1º de setembro.

Letícia morreu na manhã de 12 de novembro de 2025, quando seguia para o estágio em Coxim. Segundo a investigação, ela foi atropelada por um ônibus escolar conduzido por Cleyton Matos Campos na Avenida Mato Grosso do Sul. A jovem cursava Enfermagem na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e estava a menos de um mês da formatura.

A decisão de soltar o acusado foi tomada pela 1ª Vara Criminal de Coxim. O juiz entendeu que o período já cumprido de prisão preventiva e a adoção de medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento do processo.

Além da fiança de R$ 10 mil, Cleyton terá de usar tornozeleira eletrônica por 120 dias, está proibido de deixar a comarca sem autorização judicial e não poderá exercer função pública durante esse período.

A defesa do motorista também pediu a instauração de incidente de insanidade mental, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça.

O caso teve grande repercussão em Mato Grosso do Sul pelas circunstâncias apontadas pela investigação. Conforme os autos, o motorista conduzia o ônibus escolar com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida havia mais de um ano no momento do acidente.

Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que o veículo trafegava em alta velocidade e na contramão quando atingiu a estudante. Segundo os registros do processo, o próprio motorista informou inicialmente aos policiais que mexia no celular quando ocorreu o atropelamento.

Ainda de acordo com os autos, ele se recusou a realizar o teste do bafômetro e também não aceitou passar por exame clínico para verificação de eventual ingestão de álcool.

Após o acidente, Cleyton foi preso em flagrante por homicídio doloso. A prisão foi convertida em preventiva e ele permaneceu detido até a decisão divulgada nesta semana.

A morte de Letícia causou forte comoção em Coxim, Pedro Gomes e em toda a região norte do Estado. Filha de produtores rurais, ela havia deixado a propriedade da família para estudar e seria a primeira pessoa da família a concluir um curso superior.

Nas redes sociais, familiares e amigos voltaram a se manifestar após a divulgação da soltura, cobrando justiça e lembrando que a estudante estava prestes a realizar o sonho da formatura quando teve a vida interrompida pelo acidente.

O processo continua tramitando na Justiça e o próximo julgamento relacionado ao caso está previsto para ocorrer em 1º de setembro.