A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (9) a Operação Sicarius, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar no contrabando de cigarros paraguaios, importação ilegal de agrotóxicos, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e corrupção de agentes públicos. A ação alcançou quatro cidades de Mato Grosso do Sul: Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina.
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 44 mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária e 62 mandados de busca e apreensão em 20 municípios distribuídos por diferentes estados brasileiros. A investigação é conduzida pela Polícia Federal do Paraná.
Segundo a PF, o grupo utilizava uma estrutura organizada para trazer cigarros do Paraguai para o Brasil e movimentar grandes quantias de dinheiro obtidas com atividades ilícitas. Os investigadores também apuram a entrada irregular de agrotóxicos no país e a utilização de documentos falsificados para dar aparência de legalidade às operações da organização.
Um dos pontos que mais chamou atenção na operação foi a prisão de três policiais rodoviários federais do Paraná. Eles são suspeitos de envolvimento no esquema criminoso e tiveram os mandados cumpridos com acompanhamento da Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal.
As investigações apontam ainda para possíveis casos de corrupção envolvendo servidores públicos. Os detalhes sobre a participação de cada investigado não foram divulgados para preservar o andamento das apurações.
A presença de quatro cidades sul-mato-grossenses entre os alvos da Operação Sicarius reforça a importância estratégica do estado nas rotas utilizadas pelo contrabando vindo do Paraguai.
Mundo Novo, localizada na região de fronteira, é considerada uma das principais portas de entrada de cigarros paraguaios no país. A cidade aparece frequentemente em operações federais de combate ao contrabando e ao crime organizado por sua posição geográfica próxima à fronteira.
Já Maracaju e Nova Andradina chamam atenção por estarem fora da faixa de fronteira, indicando que a atuação da organização investigada alcançava diferentes regiões do estado e utilizava uma estrutura logística ampla para transporte e distribuição de mercadorias ilegais.
A Polícia Federal informou que a operação busca desarticular toda a estrutura financeira e operacional da organização criminosa. Além das prisões e buscas, a investigação também mira patrimônios e movimentações financeiras ligadas aos suspeitos.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, contrabando, lavagem de dinheiro, corrupção, falsificação de documentos e outros delitos que forem identificados ao longo das apurações.