Comprar os alimentos básicos ficou ainda mais pesado para o bolso dos moradores de Campo Grande. Em maio, a cesta básica na Capital chegou a R$ 841,19, valor que consome 56,1% do salário mínimo líquido de um trabalhador e coloca a cidade entre as mais caras do país para fazer compras no supermercado. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O levantamento mostra que a cesta básica em Campo Grande ficou 1,73% mais cara em maio na comparação com abril. No acumulado de 2026, a alta já chega a 8,41%, enquanto nos últimos 12 meses o aumento foi de 6,56%.
Entre as 27 capitais pesquisadas, Campo Grande aparece com a oitava cesta básica mais cara do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e Vitória.
Além do valor elevado, o estudo calcula o esforço necessário para comprar os produtos básicos. Na Capital, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar 114 horas e 10 minutos para adquirir a cesta completa.
Apesar da alta geral da cesta, alguns produtos registraram queda de preço em maio.
O café em pó teve a maior redução entre todas as capitais brasileiras pesquisadas, com recuo de 7,86%. Segundo o Dieese, a queda foi impulsionada pelo avanço da colheita, expectativa de boa safra e aumento da oferta mundial do produto.
O açúcar também ficou mais barato na Capital, com redução de 4,35%, uma das maiores quedas registradas no país. O levantamento aponta que a maior oferta do produto e a demanda mais fraca contribuíram para a redução dos preços no varejo.
Outro destaque foi a carne bovina de primeira. Campo Grande foi a única capital brasileira onde o produto apresentou queda em maio, com redução de 1,11%. Nas demais cidades pesquisadas, a carne ficou mais cara.
Também houve redução nacional nos preços do óleo de soja em grande parte das capitais, movimento influenciado pela maior oferta interna do produto.
Mesmo com algumas quedas importantes, outros produtos continuaram pressionando o custo da alimentação.
O tomate foi um dos principais vilões do mês. O preço subiu em 26 das 27 capitais brasileiras, impulsionado pela oferta reduzida causada pelo clima mais frio e pela incidência de pragas em áreas produtoras.
O feijão também registrou alta na maior parte do país. Segundo o Dieese, a restrição da oferta e as incertezas climáticas, especialmente na Região Sul, mantiveram os preços elevados.
O leite integral ficou mais caro em 23 capitais. A menor oferta nas propriedades rurais e o aumento dos custos de produção contribuíram para a alta do produto.
Outro item que chamou atenção foi a batata. Nas capitais do Centro-Sul, onde o produto é pesquisado, os preços dispararam em todas as cidades devido ao fim da safra das águas e ao atraso da entrada da safra de inverno.
A pesquisa aponta que maio foi um mês de aumento generalizado nos preços dos alimentos. O custo da cesta básica subiu nas 27 capitais brasileiras analisadas pelo Dieese.
São Paulo teve a cesta mais cara do país, custando R$ 952,20. Em seguida aparecem Cuiabá (R$ 925,49), Rio de Janeiro (R$ 914,48) e Florianópolis (R$ 913,43). Campo Grande ocupa a oitava posição do ranking nacional.
Com base na cesta mais cara do Brasil, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.999,44 em maio, quase cinco vezes o valor do salário mínimo oficial de R$ 1.621.