A onda de frio que atingiu Mato Grosso do Sul nas últimas semanas provocou um forte aumento nos casos graves de doenças respiratórias em Campo Grande. Dados divulgados nesta sexta-feira (13) mostram que os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) passaram de 60 para 118 em apenas uma semana na Capital, alta de 96,7%. No mesmo período, o número de mortes associadas à condição subiu de cinco para 11.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), o crescimento já era esperado pelas equipes de vigilância epidemiológica. Isso porque os efeitos das quedas bruscas de temperatura costumam aparecer nos atendimentos e internações entre uma e duas semanas após os dias mais frios.
A situação de Campo Grande acompanha um cenário preocupante em todo o Estado. De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul já registrou 3.523 notificações de SRAG hospitalizada em 2026.
Entre os casos confirmados para vírus respiratórios, a Influenza A continua sendo a principal preocupação das autoridades sanitárias. O Estado contabiliza 67 mortes provocadas pela doença neste ano.
Outro dado que acende o alerta é a baixa cobertura vacinal. Mesmo após a ampliação da campanha para toda a população acima de seis meses de idade, apenas 43,85% do público-alvo foi imunizado até o momento. O índice está abaixo do esperado para reduzir a circulação do vírus e evitar casos graves.
Em Campo Grande, os impactos atingem também as crianças. Dados da vigilância epidemiológica apontam que 13 crianças de até 9 anos morreram em decorrência de síndromes respiratórias graves neste ano. Cinco delas tinham menos de um ano de idade.
O avanço dos casos ocorre em meio ao período de maior circulação de vírus respiratórios. Além da Influenza A, os serviços de saúde monitoram infecções causadas por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e outros agentes que costumam se espalhar com mais facilidade durante os meses de temperaturas mais baixas.
A preocupação é compartilhada nacionalmente. O mais recente boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz, mantém Mato Grosso do Sul entre os estados que exigem atenção para os casos de SRAG, especialmente em razão da circulação de vírus respiratórios e da pressão sobre a rede hospitalar.
As autoridades de saúde reforçam a recomendação para que a população procure a vacinação contra a gripe, mantenha a higiene frequente das mãos e utilize máscara em caso de sintomas respiratórios, principalmente ao frequentar unidades de saúde e locais fechados.