A chegada oficial do inverno neste sábado (21), em Mato Grosso do Sul, traz preocupação com os efeitos do tempo seco e das mudanças de temperatura sobre a saúde da população. Segundo projeções climáticas e especialistas, o período entre julho e setembro deve ser marcado por baixa umidade do ar, longos intervalos sem chuva e maior incidência de fumaça de queimadas, cenário que aumenta o risco de problemas respiratórios em todo o Estado.
De acordo com o boletim climático trimestral do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), há indicação de chuvas acima da média histórica entre julho e setembro de 2026. Mesmo assim, os volumes previstos continuam característicos da estação seca, com predominância de períodos de estiagem e umidade reduzida.
Outro fator observado por meteorologistas é a possibilidade de formação do fenômeno El Niño nos próximos meses. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode alterar o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do país.
Para a enfermeira e professora do curso de Enfermagem da Estácio, Priscila Vidal, os efeitos desse conjunto de fatores vão além do desconforto provocado pelo frio.
“O corpo humano depende de umidade para funcionar bem. Quando o ar seca demais, as mucosas do nariz, da garganta e dos olhos perdem a capacidade de se proteger. As UBS e os pronto-atendimentos sentem isso todos os anos entre julho e setembro, e um inverno mais seco que o normal significa mais gente adoecendo por razões que poderiam ser evitadas”, afirma.
Segundo Priscila Vidal, sintomas como dor de cabeça, irritação nos olhos, garganta seca e sensação de cansaço estão ligados à baixa umidade do ar. Isso ocorre porque o nariz perde parte da capacidade de aquecer, filtrar e umidificar o ar antes de ele chegar aos pulmões, favorecendo inflamações e crises de rinite, asma e bronquite.
“A dor de cabeça e o cansaço também têm explicação direta. O corpo perde mais água ao respirar em dias secos. Com menos água circulando, o coração trabalha mais e o cérebro responde com fadiga, dificuldade de concentração e cefaleia”, explica.
A especialista também chama atenção para os efeitos da fumaça das queimadas, comum durante os meses de estiagem no Pantanal e no Cerrado. Segundo ela, as partículas podem percorrer grandes distâncias e comprometer a qualidade do ar mesmo em áreas urbanas.
“A fumaça carrega partículas microscópicas que entram pelo nariz e pela boca e vão fundo nos pulmões, chegando a regiões que o sistema de defesa do organismo tem dificuldade de alcançar”, diz.
Pessoas com rinite, sinusite ou asma costumam sentir os efeitos mais rapidamente, mas mesmo quem não tem histórico de alergias pode apresentar tosse persistente, ardência na garganta, irritação nos olhos e falta de ar em dias com maior concentração de fumaça.
Crianças, idosos e gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis. Nas crianças, as vias aéreas menores e o sistema imunológico ainda em desenvolvimento aumentam a suscetibilidade às infecções. Nos idosos, doenças respiratórias e cardiovasculares podem se agravar. Já nas gestantes, a desidratação e a exposição prolongada à fumaça exigem atenção maior durante a gravidez.
“Para esses grupos, um inverno seco não é apenas desconforto. É um risco real de agravamento de doenças e, em alguns casos, de internação”, alerta Priscila Vidal.
Entre as medidas recomendadas estão manter a hidratação ao longo do dia, utilizar soro fisiológico para lavagem nasal, evitar atividades físicas intensas ao ar livre nos períodos mais secos e manter ambientes ventilados nos horários de menor concentração de fumaça.
A especialista orienta ainda que pessoas com asma, bronquite, rinite ou doenças cardíacas não esperem o aparecimento das crises para procurar acompanhamento médico e revisar os tratamentos. Casos de falta de ar persistente, chiado no peito, febre alta ou alteração na coloração dos lábios e unhas exigem atendimento médico.
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