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MS tem a maior taxa de abstenção do Brasil: quase 1 em cada 4 eleitores não votou

Estado registrou 23,87% de ausentes no primeiro turno; Foram 483 mil eleitores que não foram às urnas em um domingo de chuva forte

05/10/2026 às 09h10
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Rodrigo Cordeiro
Foto: Rodrigo Cordeiro

Mato Grosso do Sul teve a maior taxa de abstenção do país no primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Dos 2.024.430 eleitores aptos a votar, 483.210 não compareceram, o equivalente a 23,87% do eleitorado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Votaram 1.541.220 pessoas, o que representa 76,13% do total.

O índice sul-mato-grossense ficou acima do registrado em todos os outros estados. O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar, com 23,32%, seguido por Minas Gerais, com 22,77%. Ao todo, nove estados superaram a média nacional.

No Brasil, a abstenção chegou a 21,07%, com mais de 33 milhões de eleitores ausentes. É a maior taxa em eleição presidencial desde 1998. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, atribuiu parte do aumento aos eleitores com voto facultativo, como jovens de 16 e 17 anos e idosos acima de 70.

Alta a cada eleição

Em Mato Grosso do Sul, a ausência nas urnas cresce desde 2014. No primeiro turno daquele ano, a abstenção foi de 20,53%. Subiu para 21,21% em 2018 e para 22,08% em 2022. Em 2026, foram 42,4 mil eleitores ausentes a mais do que há quatro anos.

A taxa deste ano também supera a de todos os segundos turnos presidenciais do período. O maior deles foi o de 2014, com 23,12%. Em eleições municipais, o estado já teve índice mais alto: em 2020, durante a pandemia, a abstenção chegou a 25,12%.

Chuva no dia da votação

O domingo de eleição foi marcado por temporais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido alerta laranja, que indica perigo, para 77 dos 79 municípios do estado.

Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargador Carlos Eduardo Contar, choveu mais de 30 milímetros em menos de duas horas na região central de Campo Grande. Ele reconheceu que o mau tempo dificultou o deslocamento até os locais de votação e pode ter contribuído para a abstenção. Ponderou, porém, que não é possível atribuir o resultado apenas ao clima. Antes da votação, o tribunal estimava abstenção entre 23% e 25%.

Na Capital, a água invadiu áreas de circulação da Escola Municipal Professor Arassuay Gomes de Castro, na Vila Manoel da Costa Lima. Mesários e funcionários usaram rodos para impedir que a água chegasse às salas de votação. A Escola Municipal Rachid Saldanha Darzi ficou sem energia, mas as urnas seguiram funcionando com bateria.

Na Escola Municipal Plínio Barbosa Martins, no Jardim Macaúbas, segundo maior local de votação de Campo Grande, uma seção que esperava cerca de 300 eleitores havia recebido 30 até as 9h, segundo mesários.

No interior, faltou energia em locais de votação de municípios como Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Amambai e Bonito. De acordo com o TRE-MS, a votação não foi interrompida em nenhum momento. Em todo o estado, 25 urnas foram substituídas.

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