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Fundação de Cultura reprova todos os projetos de mural do viaduto da Maracaju por uso de IA

Edital de R$ 120 mil não proibia a inteligência artificial. A comissão também apontou referências ao Pantanal em vez de Campo Grande, e a Fundac promete um novo chamamento com regras mais claras

07/10/2026 às 07h15
Por: João Paulo Ferreira
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Fundação de Cultura reprova todos os projetos de mural do viaduto da Maracaju por uso de IA

A Fundação Municipal de Cultura (Fundac) de Campo Grande inabilitou todos os projetos inscritos no edital Cultura nos Trilhos, que escolheria dois murais para as faces do viaduto da linha férrea na Rua Maracaju. A decisão da comissão de seleção foi publicada na última segunda-feira (5), em edição extra do Diogrande, o Diário Oficial do município.

Segundo a ata, um dos motivos foi o uso de inteligência artificial em um nível que, na avaliação da comissão, se sobrepôs ao "processo autoral e artístico humano" exigido. O texto do edital, porém, não menciona inteligência artificial. A regra pedia apenas propostas inéditas e autorais.

A comissão também listou outros problemas nas propostas:

  • falta de ineditismo, com conteúdos já publicados anteriormente;
  • referências genéricas a Mato Grosso do Sul e ao Pantanal, em vez da identidade de Campo Grande;
  • uso de elementos da cultura indígena sem contextualização;
  • falta de comprovação de experiência em muralismo;
  • qualidade estética considerada insuficiente;
  • cronogramas de execução considerados inviáveis.

O número de propostas analisadas não foi divulgado.

"Começar tudo do zero"

A diretora de Desenvolvimento de Programas e Projetos Culturais da Fundac, Solimar de Almeida, afirmou que "99%" das propostas trouxeram elementos que não são da cultura de Campo Grande. "É mais para o Pantanal praticamente", disse ao portal Campo Grande News.

Ela citou o caso de uma proposta que usou a imagem de uma indígena guató. "Nós não temos aqui praticamente nada de Guató", declarou. A diretora lembrou que a cidade tem duas grandes comunidades indígenas que poderiam ser representadas.

Sobre a inteligência artificial, Solimar explicou que o edital não veta a ferramenta em todas as etapas, mas que o produto final não pode ser uma imagem gerada por IA. Segundo ela, isso impede a comissão de saber se o artista consegue executar a obra. "Quando você pede uma obra de arte, você está querendo que o artista mostre exatamente o que é que ele vai fazer", afirmou. "Agora eu tenho que começar tudo do zero."

O edital

O Chamamento Público nº 08/2026 oferecia R$ 60 mil para cada um dos dois murais, somando R$ 120 mil. O dinheiro vem do governo federal, pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

As inscrições ficaram abertas de 28 de agosto a 18 de setembro e eram restritas a quem mora em Campo Grande há pelo menos dois anos. As propostas deveriam retratar a identidade da Capital, como história, patrimônio, fauna, flora, diversidade étnica ou manifestações populares locais.

Pelo cronograma original, o resultado sairia em 14 de outubro e os murais seriam pintados entre 19 de dezembro e 31 de janeiro de 2027.

Novo edital

A Fundac prevê lançar um novo edital ainda nesta semana, com as mesmas regras e um texto mais claro sobre os critérios. Antes da abertura das inscrições, a fundação pretende fazer uma ação para esclarecer dúvidas dos artistas. Quem teve o projeto reprovado poderá se inscrever novamente com uma proposta reformulada.

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