
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (8) a Operação Kathárisma, com 24 mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão contra uma organização criminosa que atuava principalmente na região norte de Mato Grosso do Sul. As ordens judiciais foram cumpridas em Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Aquidauana, Terenos, Corumbá, Anastácio e Campo Grande.
A prisão preventiva é decretada pela Justiça durante a investigação e não tem prazo definido. As buscas e apreensões servem para recolher provas, como documentos, celulares e outros objetos ligados ao caso.
Buscas dentro dos presídios
Na Capital, três das buscas foram feitas dentro de unidades prisionais. Duas ocorreram na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira e uma no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como Máxima. A PF não detalhou o que procurava nas celas nem se parte dos alvos dos mandados de prisão já estava presa.
O Complexo da Gameleira é considerado pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) o de maior segurança do Estado. É para lá que a agência transfere e isola presos apontados como líderes criminosos.
O que diz a investigação
Segundo a PF, as investigações identificaram uma estrutura organizada, com diferentes níveis de atuação e mecanismos próprios de comunicação. Os investigadores também reuniram elementos ligados à identificação de integrantes e à movimentação financeira do grupo. A apuração busca esclarecer a atuação dos investigados para integrar uma facção criminosa.
Os nomes dos alvos não foram divulgados. A PF também não informou quantas prisões foram efetivamente cumpridas nem o que foi apreendido durante a operação.
Celulares nas celas
A comunicação de presos com o lado de fora é um dos principais desafios do sistema prisional sul-mato-grossense. Entre 2023 e o primeiro trimestre de 2024, a Agepen apreendeu 3.883 celulares em interceptações de arremessos, flagrantes com visitantes e vistorias em celas.
Em maio de 2024, o então diretor-presidente da agência, Rodrigo Rossi Maiorchini, afirmou que os arremessos por cima dos muros eram o principal meio de entrada de objetos proibidos. Com o reforço da vigilância, os criminosos passaram a usar drones. A resposta da Agepen foi instalar telas sobre pavilhões e solários. Na Máxima, a agência começou a construir quatro muros para sustentar as telas.
A agência descartou os bloqueadores de sinal de celular. Segundo Maiorchini, os aparelhos deixam pontos sem cobertura dentro dos presídios, interferem no sinal da vizinhança e ficam obsoletos rápido, apesar do custo alto. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou na época que não havia contrato de bloqueadores nas unidades estaduais.
Em agosto de 2024, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou, por unanimidade, um pedido do Ministério Público Estadual para instalar bloqueadores nos dois presídios de Dourados. O relator, desembargador Marcos José de Brito Rodrigues, considerou o sistema caro e sem eficácia comprovada. O voto cita o custo mínimo de R$ 4,6 milhões por ano apenas para alugar os equipamentos.