
Mato Grosso do Sul completa 49 anos neste domingo (11). Foi em 11 de outubro de 1977 que o presidente Ernesto Geisel sancionou, em Brasília, a Lei Complementar nº 31, que separou o sul do antigo Mato Grosso e criou um novo Estado, com Campo Grande como capital.
Quase cinco décadas depois, o Estado que nasceu com 55 municípios tem 79 cidades e 2.924.631 moradores, segundo a estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 357 mil quilômetros quadrados de território, com fronteira com dois países, Paraguai e Bolívia, e divisa com cinco estados: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Em vídeo publicado nas redes sociais para marcar a data, o governador Eduardo Riedel celebrou a trajetória do Estado. "49 anos de vida. Esse Estado nasceu, cresceu, se desenvolveu. Até aqui, muita coisa foi conquistada", afirmou. "É motivo de muito orgulho ver como este estado nasceu, cresceu e se desenvolveu até aqui."
O governador também falou dos próximos anos. "Nos enche ainda mais de orgulho olhar para frente, saber que, nos próximos anos, tantas coisas boas estarão à disposição de você, sul-mato-grossense, de você que procura uma oportunidade na vida, que tem se desenvolvido junto com esse Estado", disse. "Que a gente construa junto essa história daqui para frente."
Como nasceu o Estado
A lei de 1977 criou Mato Grosso do Sul, mas o novo Estado só passou a funcionar pouco mais de um ano depois. A instalação foi em 1º de janeiro de 1979, com a posse do primeiro governador, o engenheiro Harry Amorim Costa, no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande. No mesmo dia circulou o primeiro Diário Oficial do Estado.
Sem eleição direta, Harry foi indicado pelo governo militar. O mandato durou pouco mais de cinco meses: em 12 de junho de 1979, ele foi afastado pelo presidente João Figueiredo. O presidente da Assembleia Legislativa, Londres Machado, assumiu o governo de forma interina até o fim daquele mês, quando tomou posse o terceiro governador. Mato Grosso do Sul teve, assim, três governadores no primeiro ano de vida.
Foi nesse intervalo, em 13 de junho de 1979, que os deputados constituintes promulgaram a primeira Constituição do Estado, sem governador no cargo. A primeira eleição direta para o governo de Mato Grosso do Sul só ocorreu em 1982.
O MS de hoje
O Estado chega aos 49 anos com uma economia que, segundo o Governo de Mato Grosso do Sul, deixou de depender principalmente da exportação de matérias-primas para industrializar a produção do agronegócio. As cadeias de bioenergia, celulose e citricultura estão entre as que puxam essa mudança. De acordo com o Governo, o Estado recebeu R$ 81 bilhões em investimentos privados nos últimos anos, cresce quatro vezes mais que a média nacional e tem a segunda menor taxa de desemprego do país.
A renda também está acima da média brasileira. Em 2025, o rendimento domiciliar por pessoa em Mato Grosso do Sul foi de R$ 2.454 por mês, contra R$ 2.316 no país, segundo o IBGE.
Mato Grosso do Sul foi o primeiro colocado no Atlas da Mobilidade Social de 2025, levantamento do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pelo estudo, uma criança de família pobre nascida no Estado tem 2,91% de chance de estar entre os 10% mais ricos do país na vida adulta, a maior taxa entre as unidades da federação. A média nacional é de 1,81%.
Na habitação, a Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab) contabiliza, entre 2023 e 2026, 17.366 moradias entregues ou em construção e 13.073 títulos de regularização fundiária entregues, com R$ 478,7 milhões em recursos estaduais.
"Mato Grosso do Sul tem muitas conquistas nos últimos anos e um futuro que já está sendo construído, com geração de empregos, crescimento econômico e novas oportunidades. Temos muito a fazer, mas sabemos que estamos no rumo certo, transformando a vida das pessoas", afirmou Riedel.
Jeito sul-mato-grossense
A identidade do Estado se formou no encontro de muitos povos: indígenas, paraguaios, bolivianos, gaúchos, nordestinos, mineiros, paulistas e imigrantes de várias partes do mundo. Mato Grosso do Sul abriga a maior parte do Pantanal brasileiro e divide com o Paraguai costumes que atravessam a fronteira, como a chipa e o tereré.
A bebida gelada feita com erva-mate, presença certa nas rodas de conversa do Estado, foi reconhecida pela Assembleia Legislativa como patrimônio cultural e imaterial de Mato Grosso do Sul.
O sobá, trazido pelos imigrantes de Okinawa, no Japão, virou prato típico de Campo Grande e é patrimônio imaterial da Capital, por lei municipal. Já a viola-de-cocho, instrumento tradicional do Pantanal, tem o modo de fazer registrado como patrimônio cultural do Brasil.
Rumo aos 50
No ano que vem, Mato Grosso do Sul completa meio século. O Governo do Estado criou em maio um grupo de trabalho para organizar as comemorações dos 50 anos, que terão como tema "50 anos de transformação, 50 anos de futuro".
O aniversário do Estado é feriado estadual. Neste ano, a data cai num domingo e é seguida pelo feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, na segunda-feira (12).