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Saída de Flávio Bolsonaro do país foi planejada semanas antes da eleição, diz colunista

Na segunda, senador disse em vídeo que nunca pensou em sair do Brasil; coletiva está prevista para quinta

28/10/2026 às 13h26
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Pablo Porciuncula
Foto: Pablo Porciuncula

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil começou a ser planejada semanas antes do segundo turno da eleição presidencial, segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, nesta quarta-feira (28). De acordo com a coluna, o plano previa que Flávio deixasse o país com a família caso fosse derrotado nas urnas.

Segundo a colunista, a articulação foi conduzida pelo irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025, com a participação do comentarista Paulo Figueiredo. Os dois teriam conversado com autoridades do governo de Donald Trump sobre a possibilidade de receber o senador no país.

A hipótese chegou a ser praticamente descartada depois do primeiro turno, quando Flávio terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a derrota no domingo (25), o plano voltou a ser colocado em prática. Pessoas próximas à família disseram à colunista que o roteiro inicialmente previsto para a saída passaria pela Venezuela.

“Nunca pensei em sair”

A informação contrasta com o que o próprio senador disse publicamente. Na segunda-feira (26), depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais negando a intenção de deixar o país. “Eu nunca pensei em sair do país. Vou entregar os meus passaportes e vou me defender”, afirmou.

O prazo para a entrega dos documentos venceu na manhã de terça-feira (27) sem que o senador cumprisse a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a PF cancelou os passaportes.

Na noite de terça, às 21h50 (horário de MS), Flávio, a esposa e as duas filhas cruzaram a ponte entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, segundo a migração argentina. De lá, embarcaram em um jato particular que fez escala em Guayaquil, no Equador, e pousou em Miami às 9h25 desta quarta. Ao que se sabe até agora, a rota não passou pela Venezuela.

O Departamento de Estado norte-americano confirmou que vai emitir vistos para o senador e a família. Na noite de terça, Trump disse que aprovaria um eventual pedido de asilo de Flávio.

Coletiva

Segundo Paulo Figueiredo, Flávio vai fazer uma transmissão ao vivo e dar entrevista coletiva na quinta-feira (29) para explicar a saída do Brasil.

Não há mandado de prisão contra o senador. Deputados do PT pediram ao STF a prisão preventiva dele e a inclusão do nome na difusão vermelha da Interpol. Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz e pelo financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e nega irregularidades.

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