
Faltando dois meses para o fim do ano, Mato Grosso do Sul já ultrapassou o número de homicídios de todo o ano passado. Entre 1º de janeiro e 31 de outubro de 2026, o Estado registrou 431 mortes, contra 402 ao longo de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Na comparação entre períodos iguais, o salto é maior. De janeiro a outubro de 2025, foram 325 vítimas. Neste ano, são 106 a mais.
Em setembro, quando o portal mostrou que o Estado havia passado de 400 assassinatos, a base da secretaria indicava 446 vítimas para 2025. O levantamento atual aponta 402.
Interior puxa a alta
O crescimento está concentrado fora da Capital. Entre janeiro e setembro, os municípios do interior passaram de 215 para 300 vítimas de homicídio, alta de quase 40%. Das 89 mortes a mais registradas no Estado nesse período, 85 ocorreram no interior.
Em Campo Grande, a variação foi menor: de 105 para 109 vítimas, aumento de 3,8%. A faixa de fronteira, formada por 44 municípios, saiu de 165 para 185 mortes, alta de 12,1%.
Cidades com as maiores altas
Nova Andradina lidera o crescimento proporcional. O município passou de uma vítima nos nove primeiros meses de 2025 para 19 no mesmo período deste ano, mais do que a soma dos seis anos anteriores. A cidade já vinha registrando uma sequência de execuções investigadas pela Polícia Civil.
Costa Rica foi de uma para dez vítimas, e Coxim dobrou o número, de cinco para dez. Maracaju saltou de duas para nove mortes. Aral Moreira e Itaquiraí passaram de uma para cinco cada.
Sidrolândia somava 14 homicídios até setembro, contra nove no ano anterior. No início de novembro, o município chegou ao 18º assassinato do ano, em meio à disputa entre facções. O conflito entre PCC e Comando Vermelho já havia deixado um rastro de mortes pelo norte do Estado.
Julho foi o mês mais violento
Julho concentrou o maior número de vítimas em 2026, com 65 mortes. Em seguida vieram agosto, com 55, e junho, com 53. Fevereiro teve o menor registro, com 23.
Efetivo abaixo do previsto
O avanço dos homicídios no interior acontece num cenário de efetivo policial reduzido. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, aponta 5.948 policiais militares na ativa em Mato Grosso do Sul. O número equivale a 56,1% dos 10.602 previstos em lei.
O Estado tem dois PMs para cada mil habitantes, acima da média nacional. Pela extensão territorial, porém, cada policial responde em média por uma área de 60 quilômetros quadrados, quase três vezes a média do país. O comando da PM estuda a realização de um novo concurso para repor as vagas abertas com aposentadorias.
Facções e fronteira
Ao Campo Grande News, o professor de Direito da Uniderp Rafael Sampaio relacionou o salto a chacinas, confrontos entre facções e trocas de tiros com a polícia. Ele também apontou a fronteira com Paraguai e Bolívia como fator de risco. Segundo o especialista, cidades pequenas do interior contam com equipes policiais menores, mesmo em regiões de interesse do crime organizado.
A Sejusp afirmou ao mesmo veículo que o combate aos homicídios e às facções é prioridade permanente e que cada morte é investigada individualmente. A pasta destacou as operações na fronteira e os investimentos nas forças de segurança. Em outubro, uma ofensiva contra a guerra entre PCC e CV terminou com 22 presos em Dourados.