OSM Entrevista Rafael
Rafael Fontinele: música, empreendedorismo e superação
Rafael Fontinele: música, empreendedorismo e superação
04/02/2022 16h04 Atualizada há 4 anos
Por: Viviane Freitas
Foto: Reprodução

Ao ouvir a história do maestro Rafael Fontinele, descobrimos que após uma longa jornada os sonhos buscam esse homem brilhante. Ele não mais precisa ir em direção ao impossível, pois o impossível o alcança. O maestro relatou os diversos obstáculos que enfrentou ao longo da vida que proporcionou a entrada no maravilhoso mundo da regência de orquestras renomadas que hoje ajuda crianças carentes.

Nascido em Porto Velho - Rondônia, já passou por diversos Estados até chegar em Campo Grande, há dois anos. Rafael teve uma infância simples e humilde, o encontro com a música foi ainda aos 11 anos de idade. “Me lembro até hoje daquele dia, fui tocado pela música, me apaixonei e desde então minha vida mudou”, relata.

Primeiro casamento em Ji• Paraná, direto do túnel do tempo.

O que é a música para você”? Perguntamos para o maestro que respondeu com apenas uma palavra: “salvação”, disse. Rafael Fontenele foi marcado pela separação dos meus pais e muitas mudanças de casas mas encontrou refúgio no mundo da música, ainda no berço da igreja, mais precisamente na CCB, em Rio Branco Acre. “O que parecia ser uma realidade distante no início da sua adolescência, ele cresceu em um espaço que desenvolvia suas habilidades e o tornava cada vez mais apaixonado pelo universo sinfônico. Aos 13 anos chegou a dar aula para seus colegas”, relembra.

Depois de um certo conhecimento, ele passou a frequentar o projeto da Orquestra Filarmônica do Acre, com o maestro Romualdo Medeiros. “Na época ele tinha acabado de chegar de Recife, e estava iniciando uma Orquestra e abracei o projeto. Foi um bom período, saímos para apresentações, conhecíamos pessoas e um novo mundo começou a surgir em minha vida”, conta o maestro.

Em 1998 sua família se mudou para Goiânia e foi lá que teve a primeira oportunidade de ter acesso ao mundo profissional da música erudita. Rafael deixou de ser aluno e virou professor e maestro, levando seus conhecimentos à nova geração de músicos goianienses. “Cheguei a tocar na Orquestra Municipal de Goiânia e fui professor em uma das escolas”, relembra.

O maestro conta ao OSM que ao se mudar para Rondônia passou por uma ‘guinada’ em sua carreira profissional como maestro. “Fui maestro da Prefeitura de Ji-Paraná e comecei a fazer eventos, orquestras, projetos sociais. Hoje, praticamente todos os profissionais de corda, se não são, foram meus alunos. Foi realmente um período de muito aprendizado e conquistas”, comenta Rafael.

Violino, uma das paixões de Rafael publicado em sua rede social.

Depois de muitos anos de dedicação e com a certeza de que iria seguir essa carreira, Rafael se formou em música e terminou sua pós-graduação em docência do ensino superior na Universidade Católica Dom Bosco.

“Hoje, graças às oportunidades que me foram apresentadas, somadas a força de vontade e a demanda de trabalho que ele tocou com Roupa Nova, com maestro Italiano Emmanulle Baldini, Orquestra Jovem de Brasil 🇧🇷, Orquestra de Corda UFMS, Orquestra do Mato Grosso e regeu a orquestra Arcos da Amazônia.

Quando conheceu sua esposa, Stephanie Fontinele, que é campo-grandense, ele já desenvolvia diversos trabalhos musicais em vários projetos sociais de Goiânia, mas juntos, chegaram ao consenso de que em Campo Grande conquistariam mais espaços e teriam ainda mais oportunidades profissionais. Foi então que o casal resolveu então se mudar para Campo Grande em 2020. “Nós nos conhecemos através de uma amiga em comum e decidimos nos mudar para cá. Vi um potencial de crescimento profissional, visto que é um estado pujante e muito promissor. Não me arrependo”, contou.

Rafael conta que embora sua esposa não trabalhe com ele, ela também ama música e o acompanha. "Ela é médica, mas ama e é uma parceira de todas as horas", frisa.  Rafael tem dois filhos, o Pedro Rafael e a Helena, de outro casamento. " São meus tesouros", diz.

Mas como nenhum início é fácil, ele enfrentou momentos de dificuldades que foram ultrapassadas com muita garra e determinação. “Comecei fazendo serenatas em condomínios, em empresas e tocando em eventos”, disse. Mesmo com adversidades, o maestro não desistiu de sua carreira, adaptando-se às restrições que o problema lhe causava e ganhando impulso para o reconhecimento.

Sobre os perrengues, conta que já foi convidado para dar aula em uma cidade e ficou seis sem receber salário. “Tive que voltar a pé para outra cidade, cerca de 35 km”, relembra.

Superar obstáculos, uma característica empreendedora, tornou-se um mantra em sua vida, em especial após passar por uma situação que muitos não aceitariam, Rafael além de aceitar, deu o seu melhor. “Quando fui convidado para ir para Ji-Paraná não tinha estrutura (salas) para as aulas e acabei dando aula no banheiro do teatro e lá acabei formando uma orquestra naquele. Muita gratidão”, conta.

O maestro não se aquietou. Ele percebeu que poderia, por meio da excelência musical, exercer seu papel na sociedade com responsabilidade social. Ajudando jovens talentosos de baixa renda e tratando adversidades com humor, ele testemunhou a música vencendo o crime e a importância do empreendedorismo na arte. “Embora esteja em Campo Grande, continuo atuando em Rondônia com minha empresa de eventos, e coordeno um projeto social que atende cerca de 200 crianças. Já estamos implantando em Campo Grande nosso projeto de uma orquestra Jovem com aula de música para crianças carentes”, explica.

De acordo com Rafael, seu sonho era tocar em uma orquestra e viver para música. “O sonho foi concretizado e hoje toco o coração das pessoas com a música e deixo sempre algo bom para refletirem”, finaliza.

Hoje, ele tem seu espaço Musical Fontinele, atua com professor de cordas da Primeira Batista de Campo Grande e toca no Espaço da Plástica e no Restaurante Fatto di Amore. Além disso, participa de eventos fechados com a Orquestra Fontinela.

Em 2020 mesmo com a pandemia ele chegou a fazer 30 eventos. No último ano, em 2021, houve cerca de 40 eventos entre casamentos, serenatas, eventos empresariais e uma série de cinco concertos com o coral do Tribunal da Justiça do Mato Grosso do Sul com o Maestro Nilo Cunha. “Tocamos em um evento da OAB do MS e muitos outros. Sempre com vontade de fazer o melhor sempre”, frisa.

“Hoje, estando a frente de diversos trabalhos, me sinto muito feliz e realizado, pois posso passar adiante tudo aquilo que aprendi e que tanto me fez bem, tendo em vista que não há nada mais gratificante do que compartir com o próximo aquilo que recebemos e saber que isso pode transformar a história de muitas pessoas”.

Orgulho da família

Rafael também contou ao OSM que os pais ficaram preocupados quando ele começou a desenvolver paixão pela música, pois tinham receio de como seria o futuro profissional do filho. Conforme o tempo foi passando e o músico se destacava cada vez mais no cenário, a premissa de que “música não dá futuro” caiu por terra.

Desde então, a família é sua principal apoiadora para que ele conquiste todos os sonhos.

“A música transformou completamente minha vida, pois não faço ideia do que estaria fazendo agora se não fosse por ela. Tenho uma dívida com aqueles que me apresentaram esse universo, mestres que me ensinaram essa arte”, comenta o maestro.

Questionado sobre qual sua mensagem para aqueles que estão à procura dos seus sonhos ele diz: “Tem que perseverar e ser um bom vendedor dos seus sonhos. Sempre encarar situações como oportunidades onde os nãos irão te levar para muitos sins. Encarar todas as vezes que você tiver a oportunidade de tocar como a última da sua vida”, finaliza.

Você também pode conferir mais sobre o projeto aqui.