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Esclerose múltipla: entenda tudo sobre a doença que atinge mais as mulheres
Esclerose múltipla: entenda tudo sobre a doença que atinge mais as mulheres
10/06/2023 15h27 Atualizada há 3 anos
Por: João Paulo Ferreira
Foto: Reprodução

Receber o diagnóstico de esclerose múltipla pode ser assustador. Por ser uma doença pouco divulgada, que acomete o sistema nervoso, ela pode gerar algumas inseguranças nos pacientes, como a pergunta “é possível viver normalmente?”. A patologia manifesta os primeiros sintomas entre os 20 e 40 anos e pode acometer tanto homens como mulheres, mas as mulheres são as mais afetadas.

Apesar de ser uma doença sem cura, não impacta necessariamente no tempo de vida da pessoa. Hábitos saudáveis somados aos avanços da medicina ajudam os pacientes a ter uma vida melhor, permitindo estudar, trabalhar, praticar esportes, namorar e engravidar. A informação é importante aliada, por isso a Dra. Aline Marques da Silva Braga, neurologista, tira as principais dúvidas sobre o tema.

O que é? 

É uma doença crônica onde o paciente vai ter uma inflamação com uma desmielinização (muitos nervos são revestidos de mielina, que é um material isolante. Quando está desgastada ou danificada, os nervos podem se deteriorar, causando problemas no cérebro e em todo o corpo) de algumas áreas do sistema nervoso.

Em linhas gerais, para melhor compreensão, é como se houvesse um cabo telefônico cheio de fiozinhos, sendo que esse fio é encapado, para que não haja curto, fazendo com que a transmissão ocorra de uma forma fluida e necessária. Quando há a doença há também a destruição dessa “capa” e, assim, levando a alterações no sistema nervoso.

Importante frisar que o paciente com esclerose múltipla geralmente vai ter a primeira manifestação entre 20 e 40 anos de idade, sendo mais comum em mulheres. Além disso, o paciente que tem a doença precisa ter acompanhamento médico para o resta da vida, pois pode incapacitar o indivíduo, por isso a extrema importância em ter um diagnóstico e tratamento precoce, para uma boa qualidade de vida. Não tem cura, mas há tratamento.

Quais são as alterações? 

Quando o paciente apresenta os primeiros sintomas, haverá uma disfunção neurológica ligada àquele local onde ocorreu a inflamação. Cada parte do cérebro é responsável por uma função, então, havendo uma desmielinização no nervo óptico, por exemplo, o paciente terá uma alteração visual. Se isso ocorrer no cerebelo, que é responsável pelo equilíbrio e coordenação, o paciente terá dificuldade para se equilibrar. Tudo depende da região acometida.

Além disso, geralmente o paciente tem um “surto”, onde haverá a disfunção de um local e a progressão desses sintomas geralmente ocorrem em semanas. Nesta ocasião da progressão, os sintomas se iniciam leves, pioram entre três a quatro semanas, ficam com uma disfunção máxima e, dependendo se houve busca por atendimento médico e tratamento, em geral terá uma recuperação, ficará bem durante um tempo e depois haverá outras disfunções em outros locais.

Vale a pena investigar 

É importante saber diferenciar. Quando os sintomas ocorrem de maneira muito súbita, provavelmente são alterações vasculares, como por exemplo, um AVC.

Quando há disfunção neurológica, o paciente começa a ter dificuldade, isso vai se intensificando, permanecendo por mais de 24 horas e piorando progressivamente em um paciente jovem, e, além disso, já houve crises anteriores de vertigem (ocorreu por um mês e depois parou totalmente), por exemplo, são situações que precisam de investigação para ver se o diagnóstico será esclerose múltipla.

Por que ocorre? 

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, ou seja, nosso próprio sistema imune acaba atacando os constituintes celulares do nosso corpo. Além disso, há os fatores de risco, que são:

- Sexo feminino

- Faixa etária (entre 20 e 40 anos)

- Histórico de obesidade na adolescência

- Baixa concentração de vitamina D

- Viver em locais de clima temperado

Infecções virais 

As infecções virais podem ter um papel de gatilho, entrando em contato com o organismo e ativando a imunidade para que ela combata a infecção causada pelo vírus, mas, como consequência dessa ativação, a resposta final pode acabar se voltando contra o próprio indivíduo. Isso pode ocorrer tanto com a esclerose, como com outras doenças autoimunes.

Doença do beijo 

É uma infecção causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), muito comum. Foram feitos estudos, onde foi concluído que essa doença aumenta a predisposição para a ocorrência da esclerose, mas não é um fator de causa direta para a esclerose.

Pacientes com esclerose podem engravidar? 

Sim! Se for uma paciente que já faz acompanhamento para a doença e usa medicamentos para prevenção de novos surtos, será necessário analisar qual medicação utiliza e se pode ter um impacto negativo na gravidez. A gestação por si só, não está relacionada com piora da doença ou aceleração da inflamação. Pode, sim, engravidar, desde que os cuidados necessários sejam tomados.

Como diagnosticar? 

Para diagnóstico da esclerose múltipla, além do exame clínico, é avaliado também:

- Se já houve sintomas de disfunções anteriores e o paciente, nas ocasiões, não buscou atendimento médico

- Exames físicos que tenha evidências de disfunção neurológica, como: perda de força em algum membro

- Incoordenação motora

- Acuidade visual

- Exames complementares: ressonância magnética

- Exame de líquor: punção da medula para retirada do líquor

Aceitação 

Como é uma doença que não é tão divulgada, há o desconhecimento e o medo. É muito frequente, quando há a confirmação deste diagnóstico, que o paciente desenvolva depressão e transtorno de ansiedade generalizada, por isso é muito importante pessoas com esclerose múltipla terem também acompanhamento psicológico.

Atividades físicas 

São muito importantes e necessárias, além de recomendadas de acordo com cada paciente, pois ajudam na melhora do humor, das disfunções e nas fadigas.