OSM Entrevista Maykon
Maykon Scudeller: Da banda da escola à fundador da 1ª loja especializada em baterias do MS
Maykon Scudeller: Da banda da escola à fundador da 1ª loja especializada em baterias do MS
25/02/2022 13h53 Atualizada há 4 anos
Por: Viviane Freitas
Foto: Reprodução

Como a maioria das bandas de rock, a carreira começa nos tempos de colégio, como um sonho comum entre amigos. Entre aulas e provas, ensaios e muita música. Na vida do Maykon Gomes de Matos, conhecido como Maykon Scudeller, não foi diferente. Só que além de rodar o mundo tocando bateria ele também se tornou proprietário da 1ª loja especializada em acessórios de bateria do Mato Grosso do Sul e a 2ª do Centro-Oeste.

De família simples, Maykon cresceu no Conjunto Habitacional no bairro Aero Rancho em Campo Grande e até ter o primeiro contato com a música, teve uma infância tranquila e feliz. “Vivia brincando na rua com meus amigos, pé descalço, correndo, era uma infância muito feliz e eu diria até que ‘raiz’, sem nenhum contato com o mundo digital ou musical”, conta ele.  Isso, até o seu pai Luiz Matos apresentar o Rock.

Embora ele não venha de uma família de músicos, após o primeiro contato se apaixonou pelo mundo do Rock, mais precisamente pela bateria. “Ninguém da minha família tocava um instrumento se quer, mas ao ouvir as músicas que meu pai colocava para tocar em casa, foi despertando uma paixão pelo universo, que eu nem sei explicar”, relembra.

E foi no ano de 2003, que Maykon e seus amigos, Luan Mello, Vitor Mario, Leonardo Hill, Cleiton Machado, Nuno Álvares e Sam Rodrigues, decidiram montar uma banda de Rock Nacional e Internacional, intitulada como ‘Urbano’s’. “Eu lembro na época que tive que vender meu videogame ‘Nintendo’ para poder fazer um mês de aula de bateria. Mesmo sendo pouco tempo para adquirir conhecimento para montar uma banda, eu achava que tocava muito”, conta rindo.

A banda seguiu nos seus ensaios e apresentações, ficando cada vez mais afiada, caindo no gosto da galera . “Se estivéssemos na ativa, completariamos 15 anos de vida”, publicou o baterista em suas redes sociais. E complementou: "Obrigado por tantas risadas e boas viagens, e ainda mais, por todos esses anos de amizade. Ali começou minha história com a música. Sou eternamente grato a todos, amo vocês”, disse.

A banda passou a fazer apresentações por cinco anos em festas universitárias até ser extinta. “Na época existiam muitas festas na cidade, o gosto musical era muito dividido entre os alunos, tinham espaço para o rock, sertanejo, pagode, enfim, para todos”, comenta.

De origem pantaneira vinda do estado de Mato Grosso do Sul e com reflexo no estado de Goiás, o sertanejo ganhou uma “nova cara” e começou a tomar conta do público universitário.  Foi então que eu em 2009, a demanda para a banda de rock começou a diminuir.

“Por mais que eu não vivesse totalmente da música, foi notável como o rock perdeu o espaço e consequentemente todas as apresentações que fazíamos foi diminuindo até chegar ao ponto de sermos obrigados e encerrarmos por falta de púbico”, conta.

Só que a paixão pelas baquetas e o universo da música sempre pulsou no coração do sul-mato-grossense, que não perdeu tempo. “Nessa época eu já trabalha em outras áreas, pois não conseguia me manter somente com as apresentações, e com a ajuda de um amigo que já trabalhava no universo da música - e quando eu digo que vivia no universo da música é porque a sua renda era somente daquilo, fui introduzido no ambiente do sertanejo”, relembra.

Aos poucos Maykon foi se adequando e se moldando ao novo ritmo que misturava elementos do rock, do pop, e do axé, até se tornar o fenômeno musical que mais cresceu nos últimos anos no país. “Eu entrei como ‘Roadie’, como um técnico responsável que acompanha uma banda para todos os espetáculos. Apoiava ou substituía os músicos nas montagens e desmontagens do espetáculo, garantindo que tudo ficasse tecnicamente bem ligado e como os músicos gostam”, explica.

A paixão pela música sempre fez com que o sul-mato-grossense não deixasse de estudar. “Lembro que esse meu amigo me deu um CD com 90 músicas sertanejas raiz com vanerão e eu sentei na bateria e estudei aquilo com toda intensidade”, comenta.

Ao longo dos meses, trabalhando em um emprego formal, fazendo freelas com roadie e estudando a música sertaneja, apareceu seu primeiro freela como baterista. “Eu me lembro que não pensei duas vezes, aceitei  tocar para um banda e reaprendi praticamente do zero tudo que eu sabia sobre bateria. Mas foi uma fase muito importante, onde eu precisei de muito estudo e dedicação, que hoje tornaram-me uma bagagem gigantesca”, comentou.

Nessa época, em contrapartida com o sonho de se tornar um músico profissional, Maykon se desdobrava em outros trabalhos. “Já trabalhei na distribuidora de energia, antiga Enersul, hoje conhecida como Energisa, no McDonald 's, em um material de construção, em uma loja de roupas de crianças, até chegar a uma construtora, que foi meu último emprego formal”, relembra.

Após dois anos se dividindo entre shows à noite e trabalho de dia, ele decidiu largar o emprego estável para se dedicar somente à música. “Fiquei um bom tempo chegando de viagem de madrugada e acordando cedo para ir trabalhar, até decidir me entregar somente à profissão de baterista”, comenta. E frisa, “Após essa decisão eu cheguei a rodar o mundo e a tocar todo tipo de músicas possíveis, desde rock ao reggae, sertanejo, pagode, até música japonesa eu já toquei”, conta.

Se dedicando ao instrumento da bateria e ao mundo dos ‘freelas’, ele fez um networking gigantesco que começou a passar trabalhos uns para os outros, até fundarem a MS Drum Brasil – projeto que reúne bateristas do Mato Grosso do Sul, a fim de estimular a música entre todas as classes.

“Sentimos a necessidade de trocar informação entre bateristas, trocamos muitos trabalhos, informações, nós indicamos, e foi então que sentimos a necessidade de nos conhecermos melhor e criamos o primeiro encontro, em casa mesmo, com menos de 10 profissionais”.

O encontro deu tão certo, que para integrar os profissionais, Maykon criou o grupo de Whatsapp, no ano de 2015 e nem esperava o que aconteceria algum tempo depois. “Foi impressionante, cada um ia indicando alguém para incluir no grupo e quando parei para perceber, nós já tínhamos mais de 80 profissionais”, relembra.

O grupo de baterias MS Drum Brasil trouxe para Campo Grande bateristas renomados e artistas famosos, como o baterista americano, Tony Royster Junior. “Com o financiamento de 100 bateristas arrecadamos R$18 mil e trouxemos Royster para o encontro, foi surreal”.  Além disso, o grupo já chegou a fazer diversos workshops nacionais e internacionais com cunho solidário, até o ano de 2018.

O movimento MS Drum chegou a realizar um encontro para arrecadar doações em prol das famílias desabrigadas, depois do rompimento da barragem da mineradora Samarco Fundão, em Mariana, em Minas Gerais.

Nessa época, o baterista se dividia entre ‘freelas’, o grupo de bateristas e uma recém empresa com produtos voltados para bateristas.  “Eu trouxe produtos dos Estados Unidos e criei a loja, pois como músico sabia da necessidade de ter  uma empresa especializada somente neste instrumento na cidade”, conta.

Novamente, Maykon se depara com o desgaste da carreira entre viagens e administração de uma empresa e decide então focar no seu empreendimento. “A vida de viagens é muito boa, só que desgasta muito. Foi então que joguei 100% na minha loja”, comenta.

D’Groove Acessórios - Drum Shop, surgiu em 2014, com o propósito de mudar o segmento baterístico de Campo Grande. E desde o início das atividades, a loja possui grande credibilidade perante ao público, expandindo suas atividades para o resto do Brasil e até mesmo para alguns outros países.

Há oito anos no mercado, a 1ª loja especializada em acessórios de bateria do Mato Grosso do Sul e a 2ª do Centro-Oeste. Além disso, atende todo o território nacional e internacional.

Nas redes sociais, a loja tem mais de 30 mil seguidores e já atingiu mais de mil seguidores no canal do Youtube.