Saúde Nova
Nova vacina contra a dengue está disponível em Campo Grande
Nova vacina contra a dengue está disponível em Campo Grande
03/07/2023 07h28 Atualizada há 3 anos
Por: Viviane Freitas

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Uma nova ferramenta chegou para combater os casos de dengue em Mato Grosso do Sul. A vacina QDENGA (TAK-003), produzida pelo laboratório Takeda e já licenciada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), protege contra todos os quatro tipos do vírus causadores da doença e apresenta maior eficácia que a atual vacina disponível no mercado.

Em Mato Grosso do Sul, de janeiro até agora, foram registradas 30 mortes por dengue e outros 9 casos estão sendo investigados. É o maior número de mortes dos últimos três anos, sendo 14 óbitos em 2021 e 24 óbitos em 2022 - isso ao longos dos 12 meses, o que indica que o total de casos este anos pode ser um dos maiores da década.

O total de casos confirmados neste ano passa dos 33 mil (33.491) e outros 49 mil são apontados como casos prováveis pela Secretaria Estadual de Saúde (SES/MS). Dos 79 municípios do estado, 73 apresentam alta incidência de dengue.

Não existe tratamento específico para as formas de dengue ou dengue grave. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, além da vigilância epidemiológica, o diagnóstico e atendimento médico precoces e adequados para redução da mortalidade.

No continente americano, o Brasil registra o maior número de casos de dengue neste ano, com 1.515.460 casos, seguido pela Bolívia, com 126.182 casos, e pelo Peru, com 115.949 casos. Em relação aos casos de dengue grave, um número maior de casos também foi observado no Brasil.

A nova vacina foi produzida a partir do tipo 2, vírus mais grave da doença, e faz proteção contra os quatro tipos de vírus - DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4 - sendo os tipos 1, 2 e 4 os mais comuns no Brasil. Já o tipo 3 não causa epidemias no país há cerca de 15 anos. Especialistas observam que quando uma situação como essa acontece, de um sorotipo ser introduzido ou voltar a circular, aumentam as chances de um surto ou epidemia, porque há muitas pessoas sem defesas contra aquele tipo de vírus da dengue.

Como existem quatro sorotipos de vírus da dengue, quando a pessoa é contaminada, fica imune (protegido) àquele tipo específico, por exemplo o DENV1. Mas pode contrair novamente a doença pelos outros tipos do vírus. A nova vacina mostrou-se eficaz na proteção contra todos os sorotipos”, explica a consultora de Imunização do Sabin Diagnóstico e Saúde, a médica infectologista Ana Rosa dos Santos.

O novo imunizante ampliou a indicação para pessoas de 4 a 60 anos de idade, previne cerca de 80% dos casos gerais de dengue, cerca de 15% a mais do que vacinas anteriores, e redução em mais de 90% da hospitalização.

O esquema vacinal é reduzido, necessita de duas doses, com intervalo de dois meses entre elas. A QDENGA está disponível nas unidades de vacinas do Laboratório Sabin.

A nova vacina, no entanto, não elimina a necessidade de adoção das outras medidas que evitam a proliferação do mosquito. Eliminar os criadouros do inseto continua sendo a forma mais eficaz de se evitar a Dengue, ao mesmo tempo a Zika e a Chikungunya, que também são transmitidas pelo Aedes.

Encher os pratinhos dos vasinhos de plantas com areia, tampar caixas d’água, cisternas e quaisquer reservatórios de água, limpar calhas e ralos, guardar garrafas e outros recipientes com a boca para baixo, são algumas das medidas que impedem a reprodução do mosquito.