Saúde Infoxicação:
Infoxicação: os danos da sobrecarga de informações na era digital
Infoxicação: os danos da sobrecarga de informações na era digital
15/07/2023 13h24 Atualizada há 3 anos
Por: João Paulo Ferreira
Foto: Reprodução

Você já ouviu falar em infoxicação? O nome parece diferente, mas é mais comum do que se imagina. É a sobrecarga mental causada pelo excesso de informações, algo crescente, já que o compartilhamento de dados está cada vez mais rápido e em maior quantidade. Tudo isso gera diversos sintomas, pois muitas vezes, há o consumo de mais informações do que somos capazes.

A chamada infoxicação não é um diagnóstico, mas uma condição preocupante, pois pode desencadear transtornos mentais, como ansiedade, depressão, síndrome de burnout e fobias. Além disso, há também o medo das pessoas em relação à desinformação, o receio de ficar para trás e a dependência tecnológica.

Psicóloga Francisca Flávia Costa

Para entender melhor esse fenômeno e como lidar com ele, conversamos com a psicóloga Francisca Flávia Costa, especialista no assunto. Ela ressalta a importância de cuidar e filtrar as informações que consumimos, para evitar que a quantidade de textos, imagens e sons se torne sufocante.

Um dos principais danos causados pela infoxicação é a sensação de autoexigência e irrealidade. Muitas pessoas se sentem pressionadas a estar sempre atualizadas e a dar conta de tudo, mas essa expectativa é irrealista. A psicóloga destaca que não é a quantidade de informações que nos torna mais atualizados, mas sim a qualidade do conteúdo e o conhecimento adquirido.

É fundamental aprender a distinguir informação de conteúdo. Enquanto a informação está disponível a todo momento, o conteúdo é algo que realmente faz diferença em nossas vidas, pois envolve um aprofundamento e reflexão.

Diante do desafio de selecionar o que é necessário e manter uma consciência do presente em um mundo extremamente acelerado, é essencial sair do modo automático. Devemos ser seletivos, buscando conteúdos informativos produzidos por fontes confiáveis, e estabelecer horários e momentos destinados a cada tarefa, evitando a multitarefa.

Algumas dicas para controlar o excesso de informação incluem reservar momentos improdutivos para descansar a mente, moderar os ruídos que geram ansiedade desativando notificações e alertas de aplicativos e redes sociais, reconhecer nossos limites estabelecendo quantidades específicas de tempo on-line diariamente e fazer pausas regulares para descansar e se desconectar da Internet.

A pandemia exemplificou o impacto da infoxicação, com pessoas ansiosas diante de uma enxurrada de informações, incluindo fake news, e a dificuldade em filtrá-las. Os efeitos desse período ainda perduram, levando a um adoecimento significativo.

É importante prestar atenção aos sintomas que podem indicar infoxicação, como aumento da ansiedade, aceleração do pensamento, sintomas fisiológicos como taquicardia, suores em excesso e distúrbios gastrointestinais, além de dificuldade de concentração e diminuição da produtividade. Em casos mais graves, é fundamental buscar ajuda profissional e adotar atividades físicas e o diálogo como formas de apoio.

Por fim, é fundamental reconhecer nossos limites. Não podemos dar conta de tudo, nem devemos. Aprender a respeitar nossos limites é essencial para preservar nossa saúde mental em um mundo cada vez mais informatizado. Lembre-se: para cada informação negativa, são necessárias cinco informações positivas para equilibrar a mente e evitar tensões.

Portanto, é fundamental conscientizar-se sobre a infoxicação, entender seus danos e adotar medidas para controlar o excesso de informação. Priorizar a qualidade do conteúdo, reservar momentos de descanso e buscar equilíbrio são passos importantes para preservar nossa saúde mental em meio à era digital.