Saúde Hipotermia:
Hipotermia: os perigos do frio intenso e como se proteger
Hipotermia: os perigos do frio intenso e como se proteger
16/07/2023 14h32 Atualizada há 3 anos
Por: João Paulo Ferreira
Man feeling cold at home with home heating trouble

Os termômetros nem bem começaram a baixar e a maioria das pessoas já está preocupada em tirar os casacos do armário ou tomar uma bebida quentinha para se aquecer. Isso acontece porque a queda na temperatura faz com que o corpo trabalhe mais para manter o calor.

Em condições normais, nosso organismo tem a temperatura estável na média de 37ºC. Quando cai para 35 ºC ou menos, ou seja, quando o corpo perde mais calor do que produz, ocorre a hipotermia, o que causa impactos fisiológicos, indicando sinais de perigo.

"Quando uma pessoa entra em estado de hipotermia, algumas mudanças metabólicas acontecem no seu organismo, isso porque o corpo passa a tentar reter calor de uma forma mais intensa, e é quando surgem sintomas como tremores, calafrios, entre outros sintomas, a depender da gravidade dessa hipotermia", explica o Dr. Henrique Ferreira de Brito, pneumologista.

De acordo com o especialista, existem diferentes níveis de hipotermia:

Leve: a temperatura do corpo fica entre 32º C a 35º C e o indivíduo começa a apresentar pés e mãos frios, dormência nos braços e pernas, cansaço, tremores e calafrios.

Moderada: temperatura oscila entre 28º C e 32º C e, neste caso, a pessoa apresenta tremores mais bruscos, sonolência, dedos roxos/acinzentados, a fala fica mais lenta, pulsação mais fraca e pode ocorrer também confusão mental.

Severa: a temperatura corporal fica abaixo de 30º C e o indivíduo perde o controle dos movimentos de braços e pernas, a pulsação fica irregular, pupilas dilatadas, perda dos sentidos, sonolência profunda e coma, e há um risco elevado de parada cardíaca, com iminência de morte.

Diferentes causas

Geralmente, a hipotermia é causada por temperaturas muito baixas, mas existem outras situações que podem levar uma pessoa a esse estado. "Alguns tipos de infecções causadas por vírus e bactérias, superdosagem de medicamentos, como antitérmicos, a interação medicamentosa em intervalos curtos e a reação a algum componente de remédios como anti-inflamatórios, analgésicos e descongestionantes são outros fatores que podem levar ao quadro", enfatiza Dr. Henrique.

Por isso, além de administrar medicação apenas com prescrição de um especialista, é preciso ter atenção ao pingar remédios em gotas e para não ingerir comprimidos em dose dupla, por exemplo.

Como reverter a hipotermia

Em casos de hipotermia leve, com a manifestação apenas de tremores de frio, a recomendação é agasalhar e ingerir alimentos quentes, como sopa ou chá. Porém, se a temperatura não começar a se elevar e o paciente piorar, apresentando confusão mental, por exemplo, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente.

"Para casos mais graves, primeiro precisamos nos preocupar em aquecer o paciente, e o aquecimento pode ser feito com um cobertor normal, mantas e cobertores térmicos que podem prover uma melhor capacidade de aquecimento. Em casos mais graves, usa-se aquecimento com soro fisiológico aquecido, infundido na veia do paciente, para ser mais eficaz no combate à hipotermia", explica o médico.

A hipotermia é um problema sério que deve ser levado a sério, especialmente durante os meses mais frios do ano. É importante estar atento aos sinais do corpo e agir rapidamente para prevenir complicações graves. Proteger-se adequadamente do frio, usar roupas adequadas, evitar exposição prolongada a temperaturas baixas e buscar assistência médica são medidas essenciais para garantir a segurança e o bem-estar durante o inverno.