
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (18) medidas restritivas, incluindo busca e apreensão na residência de Jair Bolsonaro, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com diplomatas e redes sociais, com base em indícios de que o ex-presidente confessou tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira.
Em decisão, Moraes cita entrevista de Bolsonaro em 17 de julho, na porta do Senado, na qual o ex-presidente afirmou que o fim do "tarifaço" de 50% imposto pelos EUA aos produtos brasileiros dependeria de sua própria anistia política. Para Moraes, isso configura “consciente e voluntária atuação criminosa na extorsão que se pretende contra a Justiça brasileira”.
O ministro destacou ainda que a estratégia teria objetivo de desestabilizar a economia, pressionar decisões judiciais e influenciar relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a decisão, Bolsonaro agiu em conjunto com seu filho, Eduardo, para usar apoio externo em tentativas de intimidar o STF e obstruir investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
Além da extorsão, Moraes aponta para possíveis crimes de coação processual, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e atentado à soberania nacional.
A defesa do ex-presidente afirmou ter sido pega de surpresa e classificou as restrições como severas, ressaltando que Bolsonaro sempre cumpriu as determinações judiciais.