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Bolsonaro chama tornozeleira de “suprema humilhação” e diz que investigação é política

Ex-presidente afirmou que nunca cogitou deixar o Brasil nem buscar abrigo em embaixadas

18/07/2025 às 13h48
Por: João Paulo Ferreira
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Bolsonaro compareceu à sede da Polícia Federal em Brasília nesta sexta (18) para cumprir ordem judicial e instalar tornozeleira eletrônica, após decisão do ministro Alexandre de Moraes - Foto: João Raimundo - TV Globo
Bolsonaro compareceu à sede da Polícia Federal em Brasília nesta sexta (18) para cumprir ordem judicial e instalar tornozeleira eletrônica, após decisão do ministro Alexandre de Moraes - Foto: João Raimundo - TV Globo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar as medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou a investigação da Polícia Federal sobre uma suposta tentativa de golpe como "política". Em declarações à imprensa nesta sexta-feira (18), Bolsonaro também afirmou que a instalação da tornozeleira eletrônica representou uma “suprema humilhação”.

A medida faz parte das cautelares determinadas por Moraes, que incluem também recolhimento domiciliar noturno, retenção do passaporte, proibição de contato com outros investigados e de comunicação com diplomatas, além de restrições ao uso das redes sociais. Bolsonaro foi obrigado a comparecer à Polícia Federal em Brasília para colocar o equipamento de monitoramento.

“É uma investigação política. Não há nada de concreto ali. Colocar uma tornozeleira em um ex-presidente da República é uma suprema humilhação”, disse Bolsonaro. Ele também negou qualquer intenção de fugir do país ou se abrigar em embaixadas: “Nunca cogitei sair do Brasil ou procurar embaixada nenhuma”.

Durante a ação que impôs as medidas cautelares, a Polícia Federal apreendeu R$ 8 mil e US$ 14 mil em espécie, além de um pen drive, na casa do ex-presidente. Bolsonaro afirmou conhecer a origem do dinheiro, que seria resultado de doações, mas disse não saber do que se tratava o conteúdo do dispositivo.

Moraes também apontou que Bolsonaro tentou condicionar o fim de sanções comerciais dos EUA à aprovação de uma anistia, o que ele classificou como uma forma de extorsão. A declaração foi usada como argumento para justificar as medidas cautelares impostas pelo STF.

As medidas fazem parte de um inquérito que apura a existência de uma organização criminosa com objetivo de atentar contra o Estado Democrático de Direito, incluindo a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022. Entre os alvos da investigação estão também aliados do ex-presidente e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos.

A defesa de Bolsonaro informou que ainda não teve acesso completo ao conteúdo do despacho de Moraes e que pretende apresentar recurso para suspender as restrições.

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