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Automação no campo exige requalificação e coloca empregos em risco no Brasil

Estudo aponta que 32% dos postos de trabalho podem ser impactados pela tecnologia, com agro entre os setores mais expostos à transformação

11/02/2026 às 09h02 Atualizada em 11/02/2026 às 15h24
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Freepik
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A automação e o avanço tecnológico no agronegócio já pressionam o mercado de trabalho brasileiro e ampliam a necessidade de requalificação profissional no campo. De acordo com o estudo “Lost in Transition Brasil”, divulgado pela Pearson, 32% dos empregos no país estão sob alto risco de automação, especialmente nos setores agrícola e industrial.

Segundo o levantamento, a agricultura responde por 7% das perdas de empregos relacionadas à automação no Brasil, ficando atrás apenas da indústria, com 12%. Ambos os setores estão entre os mais expostos à incorporação de tecnologias, como máquinas inteligentes, sistemas digitais, biotecnologia e soluções baseadas em dados, que transformam a forma de produzir e exigem novas competências dos trabalhadores.

O estudo também aponta que o Brasil lidera as perdas econômicas associadas a falhas nos momentos de transição do ciclo do trabalho, como a passagem entre escola e mercado, mudanças de emprego e impactos da automação. O prejuízo estimado chega a R$ 1,08 trilhão por ano, o equivalente a cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024.

Parte significativa desse impacto está ligada à dificuldade de recolocação profissional. Mais de 20% dos desempregados brasileiros procuram trabalho há mais de dois anos, com média de 42 semanas de busca, período superior ao registrado em países como Canadá e Reino Unido.

No campo, a adoção acelerada de tecnologias amplia a demanda por trabalhadores com competências técnicas e digitais. Para a CEO Brasil da Pearson, Cinthia Nespoli, a modernização do agro é inevitável, mas precisa ser acompanhada de iniciativas de qualificação. “A agricultura brasileira é altamente inovadora e tem adotado tecnologias de ponta, mas isso exige um novo conjunto de habilidades. O desafio está em preparar as pessoas para acompanhar essa evolução e se manterem produtivas e empregáveis”, afirma.

A executiva destaca que a requalificação profissional se tornou um tema central para a sustentabilidade do setor. Segundo ela, a automação não representa apenas substituição de funções, mas transformação de carreiras. O investimento em educação contínua e desenvolvimento de competências técnicas e digitais é apontado como fundamental para reduzir perdas econômicas e sociais.

O levantamento indica ainda que países que mitigaram os impactos da automação apostaram em programas estruturados de requalificação e aprendizado ao longo da vida, integrando educação, mercado e políticas públicas. No Brasil, a avaliação é de que o agronegócio pode se beneficiar desse movimento ao alinhar sua vocação tecnológica com estratégias de capacitação voltadas principalmente a trabalhadores em funções operacionais.

Para Cinthia Nespoli, o setor agropecuário já opera em ambiente de alta tecnologia, mas ainda existe um descompasso entre a velocidade da inovação e a preparação da força de trabalho. Reduzir essa distância, segundo ela, é essencial para garantir competitividade, inclusão e crescimento sustentável.

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