
A produção de milho da segunda safra em Mato Grosso do Sul deve alcançar cerca de 11 milhões de toneladas no ciclo atual, segundo estimativa inicial do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS. O levantamento aponta uma leve expansão da área cultivada em relação ao ano passado, enquanto a produtividade prevista tende a retornar a níveis mais próximos da média histórica.
De acordo com os dados, a área destinada ao milho safrinha no Estado está estimada em aproximadamente 2,2 milhões de hectares. O número representa um pequeno aumento em comparação ao ciclo anterior e segue dentro do intervalo observado nas últimas safras, que costuma variar entre 2,1 milhões e 2,3 milhões de hectares.
Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, a projeção leva em conta um cenário diferente do registrado no último ciclo, considerado atípico por causa das condições climáticas muito favoráveis.
“As estimativas consideram um cenário de acomodação após a safra anterior, considerada atípica em função das condições climáticas favoráveis que contribuíram para níveis elevados de produtividade. Para o ciclo atual, a projeção indica rendimento mais próximo dos patamares observados na média histórica”, afirmou.
A produtividade média estimada para a safra atual é de 84,2 sacas por hectare, valor cerca de 22% inferior às 108 sacas por hectare registradas no ciclo anterior.
Plantio segue dentro do calendário
No campo, o plantio avança dentro da janela considerada mais segura para o desenvolvimento da cultura. Na primeira semana de março, cerca de 65,7% da área prevista já havia sido semeada no Estado, o que corresponde a aproximadamente 1,4 milhão de hectares.
O avanço ocorre ao mesmo tempo em que os produtores realizam a colheita da soja, fase em que as propriedades costumam operar em ritmo intenso para manter o calendário agrícola dentro do planejado.
Diversificação nas áreas de sucessão
Outro movimento observado nas últimas safras em Mato Grosso do Sul é a diversificação das culturas implantadas após a soja. Embora o milho continue sendo uma das principais escolhas, outras alternativas passaram a ganhar espaço nas propriedades.
Atualmente, o cereal ocupa cerca de 46% das áreas de sucessão no Estado. Em períodos anteriores, esse percentual já chegou a aproximadamente 75%.
As áreas restantes devem ser utilizadas para culturas como sorgo, milheto e também para formação de pastagens. Essas opções ajudam a ampliar a diversificação produtiva e a reduzir riscos associados a variações climáticas.
“Mesmo com variações naturais entre as safras, o milho segue como uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul, com papel relevante tanto no abastecimento do mercado interno quanto na cadeia de exportação de grãos”, afirmou Flavio Aguena.