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Brasil projeta safra recorde de grãos e deve alcançar 353,4 milhões de toneladas

Produção cresce levemente sobre ciclo anterior e mantém série histórica em alta, segundo a Conab

18/03/2026 às 08h37
Por: João Paulo Ferreira
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Operação mecanizada em larga escala sustenta projeção de safra recorde de grãos no Brasil, segundo a Conab
Operação mecanizada em larga escala sustenta projeção de safra recorde de grãos no Brasil, segundo a Conab

O Brasil deve colher 353,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, de acordo com o 6º Levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na sexta-feira (13). O volume representa um aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior (2024/25) e, se confirmado, estabelecerá um novo recorde na série histórica da estatal.

A área plantada também apresenta expansão, estimada em 83,2 milhões de hectares, crescimento de 1,7% na comparação anual. Já a produtividade média das lavouras brasileiras deve atingir 4.250 quilos por hectare no atual ciclo.

A colheita das principais culturas da primeira safra já está em andamento. No caso da soja, cerca de 50,6% da área plantada foi colhida até o momento. O desempenho foi impactado por condições climáticas adversas em fevereiro, com excesso de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, especialmente em Goiás e Minas Gerais, além de irregularidade climática no Rio Grande do Sul. No início de março, o excesso de precipitações passou a afetar principalmente as regiões Norte e Nordeste. Ainda assim, a expectativa é de produção recorde, estimada em 177,8 milhões de toneladas.

O atraso na colheita da soja também influenciou o calendário do milho segunda safra, com plantio mais tardio em diversas regiões. Estados como Goiás, Maranhão e Minas Gerais já indicam redução na área destinada ao cereal. A segunda safra deve ocupar 17,7 milhões de hectares, com produção estimada em 108,4 milhões de toneladas. Já a primeira safra de milho apresenta cenário de crescimento, com área prevista de 4,1 milhões de hectares e produção de 27,4 milhões de toneladas. Considerando as três safras, a produção total de milho pode chegar a 138,3 milhões de toneladas.

Para o arroz, a colheita alcançou 19,1% da área plantada, índice acima da média dos últimos cinco anos. A produção está estimada em 11,2 milhões de toneladas, queda de 12,4% em relação ao ciclo anterior, refletindo a redução da área cultivada. No Rio Grande do Sul, principal produtor, as condições de radiação solar favoreceram o desenvolvimento das lavouras.

No caso do feijão, a produção total das três safras está projetada em 2,9 milhões de toneladas, retração de 4,7% frente à safra passada. A primeira safra teve redução de 11,2% na área plantada, com previsão de colheita de 954 mil toneladas. Mesmo com a queda, o volume é considerado suficiente para o abastecimento interno.

O algodão teve o plantio concluído e segue em fase de desenvolvimento vegetativo. A área cultivada deve apresentar redução de 3,5%, ficando próxima de 2 milhões de hectares. A produção de pluma é estimada em 3,8 milhões de toneladas.

No mercado, os ajustes na produção de milho impactaram a projeção de estoques finais, que devem atingir 11,6 milhões de toneladas ao fim de janeiro de 2027. Para o arroz, o estoque de passagem é estimado em 1,7 milhão de toneladas, um dos maiores volumes dos últimos cinco ciclos, mesmo com a queda na produção.

Já a soja deve sustentar um novo recorde também nas exportações. A Conab projeta embarques de até 114,39 milhões de toneladas em 2026, caso as estimativas de produção se confirmem ao longo do ano comercial.

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