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Mato Grosso do Sul lidera carga de trabalho no Brasil no Dia do Trabalhador

Estado tem maior proporção de jornadas acima de 40 horas, enquanto renda não avança no mesmo ritmo

01/05/2026 às 19h03 Atualizada em 04/05/2026 às 11h27
Por: João Paulo Ferreira
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Produção agrícola concentra parte dos empregos formais em Mato Grosso do Sul, estado com maior carga de trabalho do país segundo a RAIS - Foto: João Paulo Ferreira
Produção agrícola concentra parte dos empregos formais em Mato Grosso do Sul, estado com maior carga de trabalho do país segundo a RAIS - Foto: João Paulo Ferreira

Mato Grosso do Sul chega ao 1º de maio, Dia do Trabalhador, liderando o ranking nacional de carga de trabalho formal. Levantamento com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) mostra que 93,38% dos trabalhadores com carteira assinada no estado cumprem jornadas de 40 horas semanais ou mais, o maior índice do país.

Os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2024, indicam que dos 647.249 vínculos formais registrados em Mato Grosso do Sul, 604.407 estão nessa faixa de jornada. O percentual coloca o estado à frente de outras unidades da federação, com destaque para Mato Grosso e Goiás, que também aparecem entre os primeiros colocados.

Na comparação nacional, a média brasileira é de cerca de 89% dos trabalhadores formais com jornadas iguais ou superiores a 40 horas semanais. O Distrito Federal apresenta o menor índice, com 80,96%.

O resultado reforça o perfil econômico do Centro-Oeste, onde setores como o agronegócio e a agroindústria concentram grande parte dos empregos formais e demandam jornadas mais extensas, muitas vezes ligadas a ciclos produtivos e atividades contínuas.

O levantamento considera apenas trabalhadores com carteira assinada ativos até 31 de dezembro do ano-base, sem incluir informais ou autônomos. Isso significa que o cenário pode ser ainda mais amplo fora do mercado formal.

Os dados são divulgados em um contexto simbólico, já que o 1º de maio é marcado historicamente por mobilizações ligadas à redução da jornada de trabalho. No Brasil, o debate sobre modelos como o fim da escala 6x1 e a busca por maior equilíbrio entre trabalho e renda tem ganhado espaço nos últimos anos.

Apesar da alta carga horária, o avanço da renda não acompanha o mesmo ritmo em diversas regiões do país, o que impacta diretamente o planejamento financeiro dos trabalhadores e limita a capacidade de consumo e investimento.

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