
Mato Grosso do Sul chega ao 1º de maio, Dia do Trabalhador, liderando o ranking nacional de carga de trabalho formal. Levantamento com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) mostra que 93,38% dos trabalhadores com carteira assinada no estado cumprem jornadas de 40 horas semanais ou mais, o maior índice do país.
Os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2024, indicam que dos 647.249 vínculos formais registrados em Mato Grosso do Sul, 604.407 estão nessa faixa de jornada. O percentual coloca o estado à frente de outras unidades da federação, com destaque para Mato Grosso e Goiás, que também aparecem entre os primeiros colocados.
Na comparação nacional, a média brasileira é de cerca de 89% dos trabalhadores formais com jornadas iguais ou superiores a 40 horas semanais. O Distrito Federal apresenta o menor índice, com 80,96%.
O resultado reforça o perfil econômico do Centro-Oeste, onde setores como o agronegócio e a agroindústria concentram grande parte dos empregos formais e demandam jornadas mais extensas, muitas vezes ligadas a ciclos produtivos e atividades contínuas.
O levantamento considera apenas trabalhadores com carteira assinada ativos até 31 de dezembro do ano-base, sem incluir informais ou autônomos. Isso significa que o cenário pode ser ainda mais amplo fora do mercado formal.
Os dados são divulgados em um contexto simbólico, já que o 1º de maio é marcado historicamente por mobilizações ligadas à redução da jornada de trabalho. No Brasil, o debate sobre modelos como o fim da escala 6x1 e a busca por maior equilíbrio entre trabalho e renda tem ganhado espaço nos últimos anos.
Apesar da alta carga horária, o avanço da renda não acompanha o mesmo ritmo em diversas regiões do país, o que impacta diretamente o planejamento financeiro dos trabalhadores e limita a capacidade de consumo e investimento.