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De Ana Castela a Ney Matogrosso: MS tem cinco artistas indicados ao Grammy Latino

Luan Santana, Dora Sanches e Guilherme Rondon completam a lista de nomes ligados ao Estado que disputam à premiação, marcada para 12 de novembro

19/10/2026 às 10h17
Por: Clara Dias
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Da esquerda para a direita: Luan Santana, Dora Sanches, Ney Matogrosso, Ana Castela e Guilherme Rondon, cinco nomes ligados a Mato Grosso do Sul que participam de trabalhos indicados ao Grammy Latino de 2026
Da esquerda para a direita: Luan Santana, Dora Sanches, Ney Matogrosso, Ana Castela e Guilherme Rondon, cinco nomes ligados a Mato Grosso do Sul que participam de trabalhos indicados ao Grammy Latino de 2026

Mato Grosso do Sul terá cinco nomes de sua música representados no Grammy Latino de 2026. Ana Castela, Luan Santana, Ney Matogrosso, Dora Sanches e Guilherme Rondon estão ligados a trabalhos que concorrem à 27ª edição da premiação, marcada para 12 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Os artistas representam diferentes gerações e estilos, do sertanejo à música pantaneira, passando pela MPB e pela nova cena autoral brasileira.

Entre os cinco nomes, quatro aparecem diretamente entre os indicados. Guilherme Rondon participa como compositor e intérprete de uma gravação que concorre a Melhor Arranjo, categoria na qual os indicados oficiais são os responsáveis pelo arranjo musical.

A presença dos artistas reforça a diversidade da produção musical ligada a Mato Grosso do Sul, que reúne nomes consagrados nacionalmente e representantes de uma nova geração.

Ana Castela: de Sete Quedas ao sucesso nacional

Nascida em Amambai e criada em Sete Quedas, na fronteira com o Paraguai, Ana Castela construiu sua carreira a partir das referências do campo e da música sertaneja.

Ainda no início da trajetória, ganhou repercussão nas redes sociais com um vídeo caseiro cantando “Vaqueiro Apaixonado”, do cantor sul-mato-grossense Loubet, gravado durante uma visita à fazenda dos avós, no Paraguai.

O reconhecimento abriu caminho para a carreira profissional. Com músicas que misturam sertanejo e referências do universo agropecuário, a cantora se tornou um dos principais nomes do chamado agronejo.

Em 2026, Ana Castela concorre ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja com Fire Arena.

Esta é a terceira indicação consecutiva da artista, que venceu a mesma categoria em 2024 e voltou a concorrer em 2025.

Luan Santana: de Campo Grande aos grandes palcos

Nascido em Campo Grande e criado em Jaraguari, Luan Rafael Domingos Santana começou a conquistar o público nacional em 2009, impulsionado pelo sucesso de “Meteoro”.

O cantor rapidamente se consolidou entre os principais nomes do sertanejo brasileiro, com turnês, gravações ao vivo e sucessos que atravessaram diferentes fases de sua carreira.

Logo no início da trajetória, recebeu uma indicação ao Grammy Latino com o álbum Luan Santana Ao Vivo. Apesar das indicações acumuladas ao longo dos anos, ainda não conquistou uma estatueta da premiação.

Na edição de 2026, disputa Melhor Álbum de Música Sertaneja com Registro Histórico (Ao Vivo), projeto que celebra seus 18 anos de carreira.

Luan concorre diretamente com Ana Castela, já que os dois trabalhos estão entre os finalistas da mesma categoria.

Ney Matogrosso: uma das vozes mais marcantes do Brasil

Nascido em Bela Vista, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Ney Matogrosso construiu uma das carreiras mais reconhecidas da música brasileira.

O artista ganhou projeção nacional na década de 1970 como vocalista do grupo Secos & Molhados, que marcou a música brasileira com apresentações ousadas, figurinos elaborados e uma sonoridade que misturava diferentes influências.

Após deixar o grupo, Ney desenvolveu uma carreira solo marcada pela interpretação vocal, pela liberdade artística e por espetáculos nos quais música, dança, figurino e iluminação fazem parte de uma mesma apresentação.

Sua presença de palco e a maneira como desafiou convenções de comportamento e expressão artística o transformaram em referência para diferentes gerações.

Aos 85 anos, Ney participa da edição de 2026 com a gravação de “Viver e Morrer de Amor na América Latina”, parceria com Johnny Hooker, indicada à categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.

A categoria reconhece os compositores da obra. Neste caso, Johnny Hooker aparece como o autor indicado, enquanto Ney integra a gravação concorrente.

Dora Sanches: nova geração da música sul-mato-grossense

Nascida em Campo Grande, Isadora Sanches, conhecida artisticamente como Dora Sanches, representa uma nova geração de músicos de Mato Grosso do Sul que busca espaço no cenário nacional.

Desde a infância, demonstrou interesse pela música e começou a compor suas próprias canções aos 13 anos. A convivência com o ambiente rural e as paisagens sul-mato-grossenses também influenciou sua formação artística.

Em busca de aperfeiçoamento profissional, mudou-se para São Paulo, onde se formou em Produção Musical.

Em maio de 2026, lançou seu primeiro álbum solo, Seda de Casulo, composto por dez faixas autorais que misturam MPB, soul e elementos do folk.

As músicas abordam temas como autoconhecimento, vulnerabilidade e amadurecimento, apresentando uma proposta intimista e autoral.

O trabalho ajudou a projetar Dora no cenário musical e rendeu sua primeira indicação ao Grammy Latino, na categoria Artista Revelação.

A indicação coloca a cantora campo-grandense entre os novos talentos reconhecidos pela Academia Latina da Gravação.

Guilherme Rondon: a música do Pantanal no Grammy

Nascido em São Paulo, em 1952, e criado em Corumbá, Guilherme Rondon construiu uma trajetória profundamente ligada à cultura e à identidade musical de Mato Grosso do Sul.

Cantor, compositor, violonista e arranjador, tornou-se uma das referências da música pantaneira, combinando ritmos tradicionais da região de fronteira, como guarânia, polca e chamamé, com influências da música brasileira e internacional.

Sua obra valoriza elementos culturais do Pantanal e da fronteira sul-mato-grossense, contribuindo para a preservação e a divulgação dessa identidade musical.

Na edição de 2026, a composição “Sonho Inca” aparece entre os trabalhos que concorrem ao Grammy Latino na categoria Melhor Arranjo.

A gravação integra o álbum De Dentro do Futuro, do duo Rafael Beck e Felipe Montanaro, responsáveis pelo arranjo indicado à premiação. Guilherme Rondon participa da gravação e é o autor da composição.

Diferentemente dos demais artistas apresentados, Rondon não concorre individualmente à estatueta. A indicação oficial pertence aos arranjadores Rafael Beck e Felipe Montanaro, mas leva uma composição do músico ligado a Mato Grosso do Sul à disputa internacional.

Cinco nomes, quatro categorias

Os trabalhos ligados aos cinco artistas aparecem em quatro categorias do Grammy Latino de 2026.

Ana Castela e Luan Santana concorrem separadamente a Melhor Álbum de Música Sertaneja. Dora Sanches disputa Artista Revelação, enquanto a gravação com Ney Matogrosso concorre a Melhor Canção em Língua Portuguesa. Já “Sonho Inca”, de Guilherme Rondon, está na categoria Melhor Arranjo, com indicação aos músicos Rafael Beck e Felipe Montanaro.

A cerimônia de premiação será realizada em 12 de novembro, em Las Vegas, quando serão anunciados os vencedores da 27ª edição do Grammy Latino.

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