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“Ele não pode nem chorar”: mãe pede socorro por bebê que aguarda leito na Santa Casa

Caio, de 1 ano e 5 meses, tem traqueomalácia e permanece na ala vermelha; família cobra transferência e atendimento para evitar novas crises respiratórias

19/10/2026 às 11h05
Por: Clara Dias
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Caio, de 1 ano e 5 meses, enfrenta dificuldades para respirar e aguarda uma definição sobre o tratamento na Santa Casa de Campo Grande; família pede providências urgentes às autoridades de saúde - Foto: Arquivo pessoal
Caio, de 1 ano e 5 meses, enfrenta dificuldades para respirar e aguarda uma definição sobre o tratamento na Santa Casa de Campo Grande; família pede providências urgentes às autoridades de saúde - Foto: Arquivo pessoal

Com apenas 1 ano e 5 meses, Caio enfrenta dificuldades para respirar e permanece na ala vermelha da Santa Casa de Campo Grande. O bebê, que mora em Rio Verde de Mato Grosso, tem traqueomalácia, condição que provoca o enfraquecimento das paredes da traqueia e pode dificultar a passagem do ar. Segundo a família, ele precisa de uma nova avaliação para definir se será submetido a uma dilatação da traqueia ou a uma traqueostomia, mas a falta de leito para internação estaria impedindo a realização do procedimento.

Diante da situação, os pais fazem um apelo às autoridades de saúde de Mato Grosso do Sul para que seja encontrada uma vaga e garantido o tratamento necessário. A família afirma que já foram solicitadas transferências para o Hospital Universitário e o Hospital Regional, mas ainda não houve confirmação de disponibilidade.

A mãe, Camila da Silva, relata que o filho recebe oxigênio e permanece sob observação na unidade de emergência. Segundo ela, até mesmo o choro pode desencadear uma crise respiratória.

“Ele não pode chorar porque, quando chora, a traqueia colapsa e não passa ar”, conta.

Camila afirma que o menino continua fazendo muito esforço para respirar, apesar de ter recebido informações de que seu quadro estaria estável. “A gente sabe e vê que ele não está bem”, desabafa.

Crises começaram após internação por pneumonia

A primeira internação de Caio ocorreu em 20 de julho deste ano, quando ele apresentou rinovírus e pneumonia, segundo a família.

O bebê precisou ser intubado por aproximadamente 20 a 25 dias e permaneceu 43 dias internado na Santa Casa. Foi durante esse período que os médicos identificaram a traqueomalácia.

Após receber alta, Caio voltou para Rio Verde de Mato Grosso, mas precisou retornar ao hospital por causa de novas dificuldades respiratórias.

Na segunda internação, foi submetido a uma broncoscopia, exame que permite visualizar as vias respiratórias, e a um procedimento de dilatação da traqueia para facilitar a passagem do ar.

A intervenção apresentou resultado inicial positivo, e o menino recebeu alta novamente. Entretanto, cerca de quatro dias depois, os sintomas voltaram a se agravar.

Em uma das crises, Caio chegou a ficar arroxeado e apresentou dificuldade intensa para respirar. A mãe relata que a coloração da pele melhorou durante o deslocamento até o hospital de Rio Verde.

Diante da gravidade relatada, a família procurou novamente atendimento médico e conseguiu encaminhar o bebê para Campo Grande.

Família denuncia falta de leito para procedimento

Segundo os pais, Caio foi encaminhado diretamente para a ala vermelha da Santa Casa, onde permanece sob observação.

A família pediu uma avaliação de um cirurgião torácico para definir se o bebê precisaria passar por uma nova dilatação ou por uma traqueostomia, procedimento que cria uma abertura na traqueia para facilitar a respiração.

No dia 17 de outubro, conforme relato dos responsáveis, uma médica teria informado que o hospital não poderia realizar o procedimento naquele momento porque não havia leito disponível para manter a criança internada após a intervenção.

A justificativa apresentada à família envolveria mudanças nas regras de internação da unidade.

Os pais afirmam que a Santa Casa teria condições de realizar o procedimento, mas que a intervenção ficaria condicionada a uma piora grave do estado de saúde do bebê.

“A Santa Casa está pedindo vaga e os hospitais estão negando”, afirma Camila.

Sem uma definição sobre a transferência ou a realização do procedimento, os pais cobram providências urgentes das autoridades responsáveis pela rede pública de saúde.

Santa Casa não informa situação do bebê

Procurada pelo O Sul-mato-grossense, a Santa Casa informou que não fornece dados sobre pacientes menores de idade.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) também foram acionadas. As duas pastas orientaram o encaminhamento dos questionamentos por e-mail, mas não apresentaram esclarecimentos sobre a situação do bebê até o fechamento da reportagem.

O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos e atualização das informações.

Pais pedem ajuda para permanecer em Campo Grande

Além da preocupação com a saúde de Caio, a família enfrenta dificuldades financeiras para permanecer na Capital enquanto aguarda uma definição sobre o tratamento.

Camila e o pai do menino, Rubens Ezequiel, estão hospedados na casa de uma amiga. Segundo eles, os gastos incluem aproximadamente R$ 500 com alimentação, R$ 80 com transporte por aplicativo e R$ 150 por semana com fraldas para o bebê.

O casal também tem outro filho, Levi, que permaneceu em Rio Verde sob os cuidados de uma amiga da família.

Sem previsão de quando poderá retornar para casa, a família pede ajuda para custear as despesas e continuar acompanhando Caio durante o atendimento.

Como ajudar Caio

Quem quiser contribuir pode fazer uma transferência de qualquer valor pelas chaves PIX informadas e autorizadas pela família:

Rubens Ezequiel (pai): 67996421761

Camila da Silva (mãe): 67998301443

As contribuições serão destinadas às despesas da família durante a permanência em Campo Grande.

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