
A cantora e compositora sul-mato-grossense Thauanne Castro carrega uma missão deixada por seu padrinho musical, Castelo Queiroz: manter viva a tradição do chamamé. O músico, já falecido, foi uma das pessoas responsáveis pela identidade artística que ela adotou e utiliza até hoje, “A Moça do Chamamé”.
Em entrevista ao O Sul-mato-grossense, Thauanne contou que o nome surgiu de uma música que recebeu de Castelo e de sua madrinha, Laura Ikeziri. Mais do que uma homenagem, a expressão representa o compromisso de continuar divulgando um dos ritmos que fazem parte da identidade cultural de Mato Grosso do Sul.
“Ele, juntamente com minha madrinha Laura Ikeziri, me presenteou com essa música. Além desse presente, meu padrinho me deixou uma missão muito especial: continuar representando o chamamé com alegria e não deixar essa bandeira cair”, revelou.
Para a artista, o compromisso permanece presente em suas apresentações e composições.
“Por isso, esse nome não é apenas uma identificação artística. É uma homenagem, uma responsabilidade e uma promessa que carrego com muito amor.”
A cantora considera o chamamé uma expressão da história e das tradições sul-mato-grossenses. Segundo ela, interpretar esse ritmo também significa preservar o trabalho de músicos que contribuíram para sua difusão.
“Quando canto um chamamé, não estou apenas interpretando uma música. Estou levando comigo a história de pessoas que ajudaram a construir nossa identidade musical. É uma honra poder fazer parte disso.”
Natural de Campo Grande, Thauanne começou a estudar violão aos 6 anos e a cantar aos 8. A música já fazia parte da rotina familiar, principalmente nos encontros em que o instrumento reunia parentes e amigos.
“A música sempre fez parte da minha vida. Comecei a cantar aos 8 anos e, desde então, fui descobrindo que aquilo era muito mais do que um hobby, era algo que fazia parte de mim”, contou.
O incentivo dos pais foi importante para que ela continuasse se dedicando à carreira. A cantora também destaca a fé como uma das bases de sua trajetória.
“Meus pais sempre foram meus maiores apoiadores. Estiveram ao meu lado, acreditaram em mim e me incentivaram desde o começo. Ter esse apoio dentro de casa foi fundamental para que eu nunca desistisse dos meus sonhos.”
A dedicação à música trouxe responsabilidades ainda na infância. Thauanne precisou conciliar os compromissos artísticos com outras atividades próprias da idade, mas afirma que nunca considerou a carreira um peso.
Em 2015, aos 13 anos, foi personagem de uma reportagem da TV Morena sobre seu talento musical. No ano seguinte, venceu o Fesmorena, festival que ajudou a dar visibilidade ao seu trabalho.
Com o passar dos anos, o desejo de cantar deixou de ser apenas uma atividade de que gostava e se tornou um projeto profissional.
“Quanto mais eu cantava, mais eu entendia que não queria que a música fosse apenas uma parte da minha vida, mas que ela fosse minha profissão.”
Apesar da trajetória iniciada ainda criança, Thauanne afirma que construir uma carreira musical em Mato Grosso do Sul exige investimento, divulgação e oportunidades para alcançar novos públicos.
“Mato Grosso do Sul tem uma riqueza cultural enorme, grandes artistas e uma identidade musical muito forte. Mas construir uma carreira exige persistência, divulgação, investimento e, principalmente, oportunidades. Nosso desafio é fazer com que a música produzida aqui ultrapasse nossas fronteiras e alcance outros estados e públicos.”
Na avaliação da cantora, o Estado ainda precisa ampliar os espaços destinados aos artistas regionais. Ela defende que a valorização desses profissionais também contribui para preservar a história e as tradições locais.
Uma das formas que encontrou para representar essa identidade foi por meio da composição Pantanal Sul-Mato-Grossense, música que interpreta e também assina como compositora.
“Ter a oportunidade de homenagear nosso Estado por meio da música, levando nossa identidade para diferentes públicos, é motivo de muito orgulho”, afirmou.
A relação com o chamamé ocupa um espaço importante nessa trajetória. Para Thauanne, o ritmo não representa apenas uma escolha musical, mas também uma ligação com as pessoas e as histórias que marcaram sua formação.
Thauanne pretende ampliar sua presença em outros mercados e alcançar públicos fora de Mato Grosso do Sul.
Entre os planos para 2027 estão o lançamento de novos trabalhos, a realização de parcerias e o fortalecimento de sua identidade como cantora e compositora.
“Quero lançar novos trabalhos, realizar parcerias importantes e fortalecer minha identidade como cantora e compositora. Acima de tudo, quero continuar fazendo tudo com propósito, fé e dedicação, sempre respeitando minha história.”
A cantora afirma que pretende continuar representando o chamamé e levando a música sul-mato-grossense a novos públicos, mantendo o compromisso que assumiu com seu padrinho musical.