
O vídeo não deixa dúvida: um vereador de Corumbá, ao lado da esposa, humilha e agride um vendedor ambulante. Não é metáfora, não é interpretação. Está lá. Gravado. Repetido. Compartilhado.
O que também não é segredo, é que o vereador não anda sozinho. Nos bastidores, é conhecido como pupilo de um figurão: vice-presidente de uma grande instituição e dono de empresa com contrato milionário com o governo. Não é boato. É convivência antiga, agenda compartilhada, circulam juntos por aí e o vereador é responsável por atender as conveniências do figuração na região do Pantanal.
Esse tipo de político não nasce valente. Aprende. Aprende que pode. Aprende que tem costas quentes. Aprende que, se exagerar, alguém mais acima resolve.
A agressão ao ambulante não foi um acidente de percurso. Foi demonstração de poder e certeza de impunidade. Daquele poder miúdo, covarde, que escolhe alvo fraco porque sabe que não haverá reação à altura.
Enquanto o vereador aparece no vídeo, o padrinho não aparece em lugar nenhum. Como sempre. Gente grande não se suja em calçada. Forma quadros, testa limites e observa de longe. Dizem que ele já está resolvendo.
O vendedor apanha. O vereador grava vídeo de “explicação”. E o sistema, mais uma vez, finge que é só um episódio isolado.
Não é.
É método.
É escola.
É política como ela é praticada quando acham que ninguém está olhando.
Dessa vez, foi filmado e pra piorar eu não tenho o hábito de ficar calado diante tamanha covardia. Canalhas!