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Senado vota fim da 6x1 hoje; Soraya é sim, Tereza e Nelsinho não revelam voto

PEC reduz a jornada de 44 para 40 horas sem corte de salário; em MS, 239,5 mil pessoas trabalham hoje seis dias por semana, segundo o Ministério do Trabalho

14/10/2026 às 13h42
Por: João Paulo Ferreira
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Soraya Thronicke, Nelsinho Trad e Tereza Cristina: só Soraya declarou voto pelo fim da 6x1
Soraya Thronicke, Nelsinho Trad e Tereza Cristina: só Soraya declarou voto pelo fim da 6x1

O Senado vota nesta quarta-feira (14), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de descanso. Dos três senadores de Mato Grosso do Sul, só Soraya Thronicke (PSB) declarou voto a favor. Tereza Cristina (PP) e Nelsinho Trad (PSD) ainda não disseram como vão votar.

A votação foi marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para depois da quinta e última sessão de discussão do texto, também nesta quarta. Para ser aprovada, a PEC precisa de pelo menos 49 votos dos 81 senadores em cada um dos dois turnos.

O que muda

A proposta reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução de salário. Segundo o Senado, as novas regras passam a valer 60 dias depois da promulgação. Nesse período, a jornada cai para 42 horas. A redução para 40 horas se completa em 14 meses.

Em Mato Grosso do Sul, 239.545 trabalhadores estão hoje na escala 6x1, o equivalente a 40,57% dos vínculos analisados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Outros 350.846 já trabalham cinco dias por semana. Ao todo, 578.575 trabalhadores do Estado seriam alcançados pela redução da jornada.

Como estão os senadores de MS

Soraya Thronicke anunciou que vai acompanhar o parecer do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). “Sou favorável ao fim da escala 6x1 e votarei a favor da população brasileira”, afirmou. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 2 de setembro, ela também votou a favor do texto.

Tereza Cristina foi uma dos quatro senadores que votaram contra a PEC na CCJ, ao lado de Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Na ocasião, afirmou não ser contra a redução da jornada para 40 horas, mas questionou a fixação de uma escala na Constituição e a rapidez da tramitação. Ela defende ajustes no texto.

Nelsinho Trad, que é médico do trabalho, disse em junho, depois da aprovação da PEC na Câmara, que votaria “com o trabalhador”. Agora, defende que a mudança não coloque empregos em risco e cobra compensações para os empregadores. Ele não informou como vai votar.

Em maio, Tereza e Nelsinho assinaram a PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, que propõe um modelo de jornada flexível, com remuneração por hora trabalhada.

Virada da oposição

A posição dos dois pode mudar depois que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou, na terça-feira (13), que vai votar pelo fim da escala 6x1. “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então eu vou votar a favor do fim da 6x1”, afirmou Flávio. Até então, o PL defendia o modelo de jornada flexível.

Alcolumbre informou que já há assinaturas suficientes para um calendário especial que permitiria votar os dois turnos em sequência. A expectativa da oposição, porém, é aprovar o primeiro turno nesta quarta e deixar o segundo para depois da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro.

Na Câmara, a PEC foi aprovada em maio por 472 votos a 22 no primeiro turno e por 461 a 19 no segundo.

Comércio e indústria

O setor empresarial de Mato Grosso do Sul resiste à proposta. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MS) aderiu à campanha nacional da Confederação Nacional do Comércio (CNC) para adiar a votação e defende a PEC do trabalho por hora como alternativa. Em junho, ao tomar posse, o presidente da federação, Juliano Wertheimer, classificou o fim da escala como “uma catástrofe” e disse que, sem compensação, o custo seria repassado aos preços.

A Federação das Indústrias (Fiems), presidida por Sérgio Longen, também alertou para o aumento de custos em diferentes setores da economia.

Em pesquisa da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) com 105 empresários, 44,8% afirmaram que precisariam ampliar o quadro de funcionários caso a escala 6x1 seja proibida.

Ato na UFMS

Na terça-feira (13), centenas de estudantes, professores e integrantes de movimentos sociais fizeram uma caminhada no entorno da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, pelo fim da escala 6x1 e em defesa da educação pública. O ato, realizado sob chuva, também foi de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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