
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quarta-feira (21) que ele aceita todas as condições impostas por Flávio Bolsonaro (PL) para a quebra de sigilos. A resposta será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a campanha cobra que Flávio abra seus dados no mesmo momento.
O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula. Ele afirmou que estará no tribunal para entregar a resposta do presidente e que espera que Flávio libere seus sigilos bancário e telefônico e os de seus parentes até o mesmo horário.
“Não pode deixar pra depois da eleição. O prazo é amanhã”, disse Camilo. O segundo turno será realizado no domingo (25).
Segundo o senador, “a resposta do presidente é que ele não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo”. Ele ressalvou que Flávio também precisa abrir tudo o que foi pedido por Lula na petição apresentada ao TSE na terça-feira (20). “Se ele não deve nada, ele deveria ter aceito o desafio do presidente Lula naquele domingo”, afirmou, em referência ao debate da TV Bandeirantes do dia 18, quando o desafio foi lançado.
Mais cedo, Flávio havia enviado ao TSE uma manifestação em que autoriza a abertura de seus dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos 20 anos, desde que Lula amplie o alcance da própria quebra. Entre as exigências estão os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, os registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto, os sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, e os gastos com cartões corporativos da Presidência. O candidato do PL também pediu que o TSE intime Lula a dizer se aceita as condições e que uma eventual recusa fique registrada no processo.
A autorização dada por Lula na terça-feira cobre os últimos oito anos e inclui a primeira-dama Janja Lula da Silva e os filhos do presidente. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e os demais filhos apresentaram procurações concordando com a abertura, sob a mesma condição de reciprocidade.
Camilo também questionou a retirada da Alcazar Holdings da lista de dados apresentada pela candidatura de Flávio. O senador afirmou que Flávio teria uma conta no Banco Master com o advogado Willer Tomaz. Na petição ao TSE, Flávio declarou que não é sócio, administrador nem beneficiário da empresa, que pertence a Tomaz, seu amigo.
Até a publicação desta matéria, Flávio não havia se manifestado sobre o prazo fixado pela campanha de Lula. As petições dos dois candidatos estão com o ministro André Mendonça, relator do caso no TSE.