
Imagine um sistema novinho em folha, cheio de promessas… mas que trava logo na primeira tela.
Frustração? Sim.
Retrato da inovação pública no Brasil? Também.
Prometem revoluções digitais, mas muitas vezes entregam… mais burocracia.
O bug não é de código. É de cultura.
“Transformação digital” virou palavra de ordem nos gabinetes.
Menos papel, mais agilidade, inteligência artificial a serviço do cidadão.
Estados como Mato Grosso do Sul estão nessa jornada — e acompanho de perto projetos em vários cantos do Brasil.
A promessa é sempre a mesma: simplificar a vida do cidadão.
Só que, entre a promessa e a prática, existe um abismo.
O que chega ao usuário, na maioria das vezes, é:
• cadastros demais,
• senhas demais,
• paciência de menos.
Prometer agilidade e entregar burocracia é o crash mais comum do sistema público.
Quatro fatores travam quase sempre a inovação:
Capacitação técnica insuficiente – servidores e usuários sem preparo = sistemas que viram fantasma.
Resistência cultural – mudança incomoda, nem todo mundo abraça a novidade.
Infraestrutura falha – de que adianta 5G se o posto de saúde mal tem internet?
Descontinuidade política – a cada eleição, projetos reiniciam… e quem perde é sempre o usuário.
Exemplos não faltam:
Sistemas de saúde que não se conversam.
Plataformas de ensino que não chegam ao aluno rural.
Apps lançados com festa e abandonados meses depois.
Cada falha dessas não é só técnica. É de governança.
E a solução?
Ouvir o usuário.
Testar antes de escalar.
Investir nas pessoas, não só no software.
Ser transparente.
O Cerrado ensina: resiste ao fogo, renasce depois da seca.
A inovação pública também precisa aprender com os próprios erros.
O bug não é o fim do sistema.
É o aviso de que precisamos reprogramar.
Aguardem a parte 2.
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Como sempre destacamos, as opiniões expressas pelos colunistas não representam, necessariamente, a opinião do jornal O Sul-mato-grossense. Este é um espaço aberto ao debate, respeitados os limites da legalidade e do respeito.