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Governador do Tocantins é afastado por suspeita de fraudes na pandemia

STJ determinou afastamento de Wanderley Barbosa por seis meses em meio à Operação Fames-19

03/09/2025 às 19h45 Atualizada em 04/09/2025 às 14h09
Por: João Paulo Ferreira
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Foto: Bruno Spada
Foto: Bruno Spada

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou nesta quarta-feira (3) o afastamento do governador do Tocantins, Wanderley Barbosa (Republicanos), por um período de seis meses. A decisão ocorre no âmbito da Operação Fames-19, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraudes na compra de cestas básicas e outros itens durante a pandemia de covid-19.

Barbosa assumiu o governo em 2021, após o afastamento e posterior renúncia do ex-governador Mauro Carlesse, também investigado em outro esquema. Segundo a PF, entre 2020 e 2021, foram pagos mais de R$ 97 milhões em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados, com prejuízo superior a R$ 73 milhões aos cofres públicos. Os valores desviados teriam sido usados para aquisição de gado, despesas pessoais e até construção de empreendimentos de luxo.

Na decisão, o STJ atendeu ao pedido da PF e do Ministério Público, que apontaram fortes indícios de participação de agentes públicos e políticos em desvios de recursos e no uso de emendas parlamentares para favorecer empresas ligadas ao esquema.

Operação e mandados de busca

Mais de 200 policiais federais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão em Palmas, Araguaína, Imperatriz (MA), João Pessoa (PB) e no Distrito Federal. O objetivo é aprofundar as investigações e reunir provas sobre a atuação da organização criminosa, que teria aproveitado a situação de emergência em saúde pública para fraudar contratos.

A primeira fase da operação ocorreu em agosto de 2024, quando Barbosa já havia sido alvo de buscas. Na ocasião, ele negou envolvimento e alegou que, à época, era vice-governador e não tinha responsabilidade direta sobre os contratos.

Defesa de Barbosa

Em nova manifestação, o governador afastado chamou a decisão do STJ de “precipitada” e reafirmou que não era ordenador de despesas no período investigado. Ele destacou que determinou auditorias internas na Procuradoria-Geral do Estado e na Controladoria-Geral para encaminhar informações às autoridades competentes.

“Acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de governador, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça”, declarou Barbosa em nota.

Até o momento, o governo do Tocantins não se pronunciou oficialmente sobre o afastamento e sobre as medidas judiciais em curso.

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