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Documentário mostra histórias de mulheres indígenas em Campo Grande

Pré-estreia gratuita acontece nesta sexta-feira, na Casa de Cultura, com curta dirigido por Gleycielli Nonato Guató

12/06/2026 às 16h04
Por: João Paulo Ferreira
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Dirigido por Gleycielli Nonato Guató, o curta “Kaguateka: Aquelas que Resistem” acompanha histórias de mulheres indígenas que vivem em contexto urbano em Campo Grande - Foto: Marcus Teles
Dirigido por Gleycielli Nonato Guató, o curta “Kaguateka: Aquelas que Resistem” acompanha histórias de mulheres indígenas que vivem em contexto urbano em Campo Grande - Foto: Marcus Teles

A pré-estreia dos curtas “Kaguateka: Aquelas que Resistem” e “A Trovadora e a Poeta” será realizada nesta sexta-feira (12), às 19h30, na Casa de Cultura, em Campo Grande. A entrada é gratuita.

Produzido na Capital, “Kaguateka: Aquelas que Resistem” acompanha mulheres indígenas que vivem em contexto urbano e integram o Coletivo de Mulheres Indígenas Kaguateka. O documentário tem cerca de 15 minutos e reúne histórias de ancestralidade, deslocamento, identidade e organização coletiva.

O curta é dirigido por Gleycielli Nonato Guató e marca o primeiro filme dirigido por uma mulher do povo Guató. A produção também tem participação de mulheres indígenas no roteiro, na produção e nas narrativas apresentadas na obra.

Entre as protagonistas estão Suzie Guarani, Luana Kadiwéu, Matilde Kaiowá, Mirian Terena e a própria Gleycielli Guató. O filme aborda trajetórias de mulheres que deixaram aldeias e comunidades por diferentes motivos, mas mantiveram vínculos culturais mesmo vivendo na cidade.

“O Coletivo Kaguateka resiste nessa insistência da nossa ancestralidade dentro da cidade, dentro do contexto urbano, pela voz de mulheres. Isso é muito forte, isso é muito grande, isso é muito ancestral. Essa é a nossa cultura resistindo a cada momento através do coletivo, através da força individual de cada mulher e através agora deste documentário. Então é uma honra poder dirigir ele e poder levá-lo ao público pela primeira vez”, afirmou Gleycielli.

A produtora e roteirista Suzie Guarani disse que o processo de construção do documentário também permitiu revisitar histórias familiares e coletivas.

“A concepção desse documentário foi muito importante porque pude relembrar a história da minha mãe, Marta Guarani, conhecer ainda mais a trajetória da Matilde, da Luana Kadiwéu, da Mirian Terena e da Gleycielli. Foi muito emocionante reunir essas mulheres para contar a história de cada uma”, afirmou.

Segundo Suzie, alguns relatos gravados durante o documentário marcaram a equipe, como as histórias de Luana Kadiwéu e Matilde Kaiowá.

“O mais emocionante foi ouvir a Luana contar sua história, uma mulher de luto e uma mulher guerreira. Também nos emocionamos muito com a história da Matilde, lembrando todo o sofrimento vivido em sua comunidade e o caminho que percorreu até chegar à Aldeia Urbana Água Bonita. Foram momentos que nos fizeram chorar e refletir sobre a força dessas mulheres”, disse.

O documentário parte da presença indígena em Campo Grande e mostra como mulheres de diferentes povos mantêm práticas culturais, memórias e formas de organização mesmo fora dos territórios de origem.

“Eu espero que o público não só compreenda a existência dessas mulheres, mas enxergue nelas a voz de uma resistência cultural. Apesar da força que o urbano tem, elas quebram as barreiras do cimento e fazem brotar as flores e as plantas de sua ancestralidade. Porque, apesar de ser uma cidade, embaixo de toda essa calçada e desse asfalto ainda corre uma terra ancestral”, afirmou Gleycielli.

O projeto conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura. Em Campo Grande, o edital foi operacionalizado pela Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura.

Serviço

Pré-estreia dos curtas “Kaguateka: Aquelas que Resistem” e “A Trovadora e a Poeta”
Data: sexta-feira, 12 de junho
Horário: 19h30
Local: Casa de Cultura
Endereço: Avenida Afonso Pena, 2270, Centro
Entrada: gratuita

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